Sem radar, MG–030 vira palco até para ‘pega’ de caminhão

Veículos carregados com até 20 t rodam a mais de 100 km/h em rodovia sinuosa e de pista simples

iG Minas Gerais | bernardo miranda |

Justiça. Além dos radares desligados, MG–030 agora recebe mais caminhões por causa de proibição da circulação deles em estrada próxima
MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
Justiça. Além dos radares desligados, MG–030 agora recebe mais caminhões por causa de proibição da circulação deles em estrada próxima

Carretas transportando cargas superiores a 20 toneladas e rodando a mais de 120 km/h em uma estrada sinuosa e de pista simples onde a velocidade máxima permitida é de 60 km/h. Essa cena se tornou rotina na MG–030, estrada que liga Nova Lima a Belo Horizonte, nos últimos quatro meses. Além da imprudência e do desligamento dos radares na rodovia em outubro, uma decisão judicial é causadora do problema. Em novembro, caminhões de minério foram impedidos de usar a estrada do Rio do Peixe, que faz a ligação entre a MG–030 e a BR–040.

Morador de Nova Lima, o empresário Marcelo Hargreaves, 42, diz que é comum ver caminhoneiros em alta velocidade na pista e conta que até já presenciou dois caminhões de minério batendo pega, fazendo curvas a mais de 100 km/h. “A situação aqui está assustadora. De uns três meses para cá, não para de passar caminhões na estrada, que é estreita e conta com um fluxo quase urbano devido à proximidade com Belo Horizonte”, reclama. Somente em janeiro, foram 29 acidentes na MG–030, com 15 pessoas feridas. Determinação. A proibição da circulação dos caminhões na estrada Rio do Peixe foi determinada por decreto pela Prefeitura de Rio Acima em 2012, porém a regra só passou a valer em novembro do ano passado. Isso porque as mineradoras haviam derrubado liminarmente o decreto na Justiça. Porém, em novembro de 2014, a prefeitura conseguiu cassar a liminar. A volta dos caminhões de minério para a MG–030 coincidiu com o momento de maior fragilidade na fiscalização da rodovia. Assim como todas as outras estradas estaduais, os radares estão desligados desde outubro, pois o contrato com a empresa que fazia o gerenciamento dos equipamentos venceu e não foi renovado. “Sem radares não há limites para a imprudência. Um tráfego de carretas pesadas, sem fiscalização, é um cenário certo para acidentes”, afirma Marcelo Hargreaves. E a estrada já fez vítimas. Uma delas é Elza Maria do Nascimento Rodrigues, 66, que morreu após ser atropelada, em dezembro, a menos de cem metros de um radar que estava desligado. “Minha mãe foi vítima de uma falha do poder público. Se o radar estivesse funcionando, ela poderia estar aqui comigo, e minha família não estaria sofrendo”, conta o borracheiro Fábio Rodrigues, 38. Apesar dos riscos, não há perspectiva para melhora do tráfego na MG–030. O Departamento de Estradas de Rodagem (DER-MG) informou que trabalha para religar os radares, mas não há uma previsão. E os caminhões vão continuar a usar a MG–030, já que a Prefeitura de Rio Acima vai manter o decreto, com a justificativa de proteção ambiental da região.

Entenda Caminhões. A Prefeitura de Rio Acima tenta proibir o tráfego de caminhões na estrada Rio do Peixe desde 2012, mas só em novembro passado conseguiu derrubar na Justiça uma liminar que autorizava as carretas de minério a passarem pelo local. Sem saída. A justificativa para a proibição foram a preservação ambiental e o risco de acidentes. Com o caminhão vetado, a única alternativa para as carretas com minério é passar pela MG–030, que também recebe um grande fluxo urbano.

Desligados Radares. Em todo o Estado são 240 radares desativados desde outubro do ano passado. Só na MG–030 são dez equipamentos localizados nos pontos mais perigosos. 

Trecho conta com três radares Sem os radares fixos, a Polícia Militar Rodoviária (PMRv), que fiscaliza a via, conta com 18 radares móveis para fazer a fiscalização de mais de 26 mil km de rodovia. Na região metropolitana de Belo Horizonte, são apenas três radares. “Com os radares fixos parados, fazemos o rodízio com os radares móveis, usados de forma mais frequente, o que tem aumentado as autuações com esses equipamentos”, afirmou o tenente da Polícia Rodoviária Militar, Geraldo Donizete, sem passar os dados. A corporação conta ainda com um posto policial na MG–030.

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