Performance, entre o híbrido e o hermético

iG Minas Gerais | Joyce ATHIÊ |

Cida Falabella entre o vestir e o desnudar fragilidades e fortalezas
JOÃO LIMA
Cida Falabella entre o vestir e o desnudar fragilidades e fortalezas

Em função do diálogo entre o teatro e a performance, Cida Falabella e Denise Pedron preferem chamar “Domingo” de “cena-experiência”, uma nomenclatura inventada para falar da proposta que elaboraram juntas. “Este trabalho não é uma coisa nem outra. Não é só um produto para ser fruído, é algo que se compartilha com o público que acaba por ocupar um lugar de testemunha, um participante”, esclarece Denise, diretora do espetáculo que será apresentado por sua Cida em sua própria casa, sempre aos domingos. Além disso, a liquidez da peça está nas brechas abertas para as interferências do público, que, de tão próximo, pode mudar o pré-concebido.

Para Denise, a performance é uma arte híbrida, porém ainda hermética, mas que tem se fortalecido a partir do alcance do trabalho de Marina Abramovic. No teatro, podemos citar montagens contemporâneas e conterrâneas de Cida, como “180 Dias de Inverno”, com direção de Nando Motta, e “Talvez Eu Me Despeça”, de Ludmila Ramalho, que também fazem uso desse diálogo como linguagem.

Da performance, “Domingo” absorveu os rituais de cura e sua força de transformação, da passagem de um estado a outro como uma simbologia da mudança. Na peça, essa simbologia vem estabelecida nos elementos da natureza, como a terra, o fogo, a água e diferentes estados físicos como o sólido, o líquido, o gasoso. Denise acredita que o ritual é um respiro frente à vida cronometrada no relógio, atropelada pelo cotidiano mecanizado. “O ritual que oferecemos é diferente. Ele tem a repetição, mas de forma atualizada, vivida e experenciada de fato, de forma a te trazer para o momento presente”, diz.

Embora sejam rituais de cura, as artistas frisam que existe neles e na própria montagem um teor terapêutico, que não é nem uma obrigação, nem uma preocupação. “Nem tudo tem que servir para algo. Embora sirva, não tem que servir”, afirma Cida.

Denise e Cida já haviam trabalhado juntas anteriormente no link estabelecido entre o teatro e a performance, o teatro e a realidade e, principalmente, na colocação do intérprete em cena. No repertório da ZAP 18, companhia mantida por Cida, outros trabalhos foram realizados com o convite ao ator de se colocar em uma mistura de personagem e não personagem, entre história de depoimentos pessoais. “Mantínhamos um flerte com a possibilidade de deixar as coisas mais líquidas. Tenho uma birra com personagens naturalistas. Ou entramos na ordem do simbólico ou nos aproximamos do real”, diz Cida, que acredita ser este um caminho sem volta na sua carreira.

Agenda

O quê. Solo “Domingo”

Quando: 1º a 22/3, sempre aos domingos, às 16h30. Reservas devem ser feitas de segunda a quinta-feira pelo email domingocida2014@gmail.com.

Onde. O endereço do local é divulgado após a reserva

Quanto. R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)

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