Tudo tem dois lados, até o Brasil!

iG Minas Gerais |

No detestável e funesto cenário em que o Brasil já está inserido e ficará nos próximos longos anos, algumas coisas nos fazem ter esperança de tempos melhores, ainda que longínquos. Enquanto a classe política brasileira dá um tapa na cara da sociedade a cada semana, com mais um auxílio-isso, auxílio-aquilo, exemplos de que ainda vale a pena ter filhos aparecem. Nesta semana, vi uma matéria em um dos canais SporTV sobre um jovem nordestino que, depois de ter ido para São Paulo e ter aprendido a jogar tênis muito bem, chegando a liderar rankings nacionais de base, voltou para sua terra e tem um projeto para ensinar o esporte para seus iguais, mesmo com muitas dificuldades pela falta de apoio, seja de quem for, mas que deveria ser público. Como tenho o hábito de escrever a coluna horas antes do fechamento da edição, quase sempre sem um tema previamente definido – justamente para poder abordar o maior número de fatos possíveis, e atuais –, não tive tempo para fazer a lição de casa sobre os nomes exatos dos personagens dessa história, não menos fantástica por isso. Fica para a semana que vem! O fato é que o cara, de uns 30 anos, chorava ao falar do projeto com uma convicção, um amor, uma firmeza, uma sinceridade, uma altivez que me comoveram também, profundamente.

Imediatamente me veio à cabeça nossos nobres representantes nas casas legislativas (com letra minúscula mesmo) do Brasil. Que desamor, abuso, privação material e afetiva, trauma, pais deploráveis podem ter sofrido quando crianças os senhores e senhoras que comandam o país para, mesmo depois de ver uma reportagem como essa, ir a plenário, votar a favor de um afrontoso auxílio-qualquer coisa e ainda dar entrevista dizendo que não há nada demais? Em alguns casos, acho que se trata de forte traço genético para o mal, coisa que só cientista e/ou o diabo explicam. Apesar de tudo isso, o saldo é positivo, pois a verdade que vi nos olhos desse herói nacional vale o asco que sinto ao me deparar com notícias sobre os auxílios da alegria. Só acho que está faltando o auxílio-óleo de peroba! Outra coisa que chamou a atenção positivamente, coisa rara ultimamente, foi a iniciativa que dirigentes de Atlético-PR e Coritiba parecem estar implantando no Paraná, e que vai se espalhar, pois provará que é muito melhor para todos. Os dois clubes continuam sendo os maiores e eternos rivais do Estado, e mais ainda da capital. Porém, deixaram o provincianismo de lado e estão juntos em questões pertinentes a ambos, como negociações de cotas de TV, organização dos Atletibas, e, se não me engano, até patrocínios nas camisas. Que exemplo para Cruzeiro e Atlético, Grêmio e Inter, Santa Cruz, Náutico e Sport; Guarani e Ponte Preta, os quatro grandes de São Paulo, os quatro grandes do Rio, enfim, clubes que têm interesses em comum. No primeiro clássico após a adoção da nova e tardia política, o saldo foi muito positivo, com muito menos ocorrências de confrontos entre torcedores do que em um passado muito recente. O jogo no Couto Pereira foi 2 a 0 para o Coxa. Não é novidade que Curitiba é a capital mais desenvolvida do Brasil, com índices de qualidade de vida muito bons, devidos a seus equipamentos públicos e a seu povo, com níveis educacionais também bastante satisfatórios em um país como o nosso. Quanto menos educação, infinitamente menores são as condições de que pessoas com visões diferentes das coisas se entendam. Desconfio que eles não querem escola boa!

Atlético. Tudo que tinha para expressar sobre o Galo, o fiz na coluna passada, só não esperava ter acertado tanto, como poderia ter errado. Mas, como sempre digo, prefiro pecar pelo excesso do que pela omissão. A situação é mais preocupante do que parecia, agora matematicamente. Culpa do Levir? Da diretoria? Dos jogadores? Da preparação física? De todos! Menos da Massa, que fez seu papel na quarta-feira, como sempre, e está morrendo de medo da volta dos não tão velhos tempos.

Cruzeiro. Muita gente acha que o time jogou bem na Bolívia, eu não. Se a altitude atrapalhou, aí é outra coisa! Do ponto de vista matemático, o empate foi bom: estreia de Libertadores, fora de casa e em condições naturais extremamente desfavoráveis. A nova equipe precisa de um pouco mais de tempo para se acertar, se é que vai se acertar. Destaque para Fábio, que caminha a passos largos para ser o maior jogador da Raposa em números, algo bem discutível no subjetivo futebol.

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