Belezas entre o ribeirão Pandeiros e o rio Peruaçu

iG Minas Gerais |

O entusiasmo de Manfred Ernst Leyerer pelas obras de artistas plásticos mineiros e pelo patrimônio natural e cultural do Estado incentiva Elaine Machado de Lima Soares para que produza livros de arte que venham conferir mais visibilidade àqueles talentos e atrair turistas para lugares especiais, como as serras do Caraça ou do Cipó. Ela assume, então, a responsabilidade de obter suporte material que viabilize pesquisa, redação, tradução, diagramação e impressão, com alta qualidade editorial, entregando a curadoria a Robson Soares. Integrei-me ao seu último projeto, que se refere às belezas naturais, ao modus vivendi dos ribeirinhos e aos registros arqueológicos entre o ribeirão Pandeiros e o rio Peruaçu, à margem esquerda do rio São Francisco. Trabalhando diretamente com o fotógrafo Juninho Motta e a designer Clara Gontijo, estamos articulando texto e imagem que venham fazer justiça àquele universo e conquistar os brasileiros para a luta pela preservação dos tesouros e a revitalização do rio São Francisco. O ribeirão Pandeiros nasce no município de Januária e mantém-se cristalino até desaguar no Velho Chico. Sendo importante berçário dos peixes desse rio, tornou-se Área de Preservação Ambiental (APA), para que não haja ações predatórias que possam afetar a fauna, a vegetação e o pântano de rara beleza. Ele constitui um espetáculo grandioso, porque perto dali existem vários trechos de mata seca e caatinga. Completam a paisagem do vale dos Pandeiros as veredas de buritizeiros. A nascente do rio Peruaçu, entre os municípios de Cônego Marinho e Bonito de Minas, secou, mas ele é mantido por outros olhos d’água em seu leito. Merece atenção especial, porque banha a reserva da tribo xacriabá e mergulha, logo à frente, nas rochas para correr dentro da caverna do Janelão. Apresenta-se, depois, livre, em meio à mata seca, a caminho do São Francisco. Esse quadro é apenas um dos itens de um conjunto espeleológico que justificou a criação do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, em 1999, pois existem, ali, 140 formações geológicas desse tipo. Elas surgiram da ação da água sobre uma área calcária, ao longo de milhões de anos. Seu interior é fascinante, porque há espeleotemas em diferentes cores e formatos. São atraentes também os 80 sítios arqueológicos, pois vários têm inscrições rupestres feitas ao longo de mais de 10 mil anos. O destaque é a gruta do Caboclo, cujos registros apontam diferentes níveis de complexidade. O livro despertará, certamente, interesse de turistas que apreciam ambientes com dados relevantes em geologia, arqueologia, botânica, zoologia e geografia. Tudo ficará mais atraente se os deslocamentos forem pela hidrovia do São Francisco, que merece revitalização imediata para retomar o movimento de antanho. Isso beneficiará a microrregião de Januária, que terá uma atividade econômica cujo retorno envolve ganhos financeiros, educacionais e ambientais.

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