Design e memória

Peças e mobílias que resgatam histórias de vida enriquecem os espaços da casa

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

JANE BEILES
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Esta história começa com uma mesa de madeira. Meu avô, Sidney Howard, dramaturgo e escritor, precisava de uma escrivaninha nova e contratou o marceneiro mais próximo para fazer uma para ele. As medidas – pouco mais de um metro de largura por dois de comprimento, eram estranhas, mas práticas, pois a superfície larga era perfeita para espalhar páginas e cenas depois que terminava de escrevê-las.

Além de trabalhar bastante naquela mobília, seu plano para a nova mesa, que colocou no escritório de sua casa, era bem simples: dar duro nas peças que amava escrever (pela arte); dar duro nos roteiros que precisava escrever (pelo dinheiro) e, no fim das contas, se manter ocupado com ambos.

Ele queria ficar com a família, fosse em Manhattan ou na fazenda, mas tinha problemas para manter o equilíbrio. No início de 1936, ainda em Hollywood, escreveu em seu diário: “Extremamente deprimido por causa de dinheiro. Deus nos livre de continuar levando essa rotina idiota, desistindo de viver para ter onde morar. Sonho com a fazenda, mas...”. Essa anotação me surpreendeu quando a li. Com 40 peças, 27 para a Broadway (todas produzidas), meu avô era um escritor de sucesso e de prestígio em sua época.

Recebeu um Pulitzer em 1925 pela peça “They Knew What They Wanted”; foi capa da revista Time em 1937 como presidente do Sindicato dos Dramaturgos e ganhou um Oscar em 1940 pelo roteiro de “... E o Vento Levou”. Nunca me passou pela cabeça que a fortuna não tinha acompanhado a fama.

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