Sonhos além das montanhas

iG Minas Gerais | Lucas Simões |

Pedro Morais planeja lançar em março um disco com o quarteto Cobra Coral
Rafael L. G. Motta
Pedro Morais planeja lançar em março um disco com o quarteto Cobra Coral

“O mineiro é muito caseiro, a gente tinha que atacar mais”. É assim, além das montanhas de Minas Gerais, que o músico Pedro Morais quer chegar com sua “Vertigem” (Oi Música, 2013), o terceiro álbum solo da carreira, na estreia da temporada 2015 do projeto Domingo no Museu, no Museu de Arte da Pampulha (MAP).

  Para o show deste domingo (1º), o cantor e compositor , além do repertório de “Vertigem”, passeia por seus outros discos, “Pedro Morais” (2005) e “Sob o Sol” (2009). Acompanhado de Frederico Heliodoro (baixo), Lenis Pereira dos Santos (bateria), Marcelo Guerra de Albuquerque Filho (guitarra) e Marcus Nogueira Siqueira (teclado), o som de Morais vai soar diferente. “Houve um amadurecimento, os violões não imperam mais, as letras são mais duras”, diz o artista.   É certo que há algum tempo o cantautor mineiro deixou de ser o garoto de cabelos bagunçados preso a baladas romanceadas pelo violão. Aos 33 anos, a doçura de suas letras ganharam pontos de aspereza e certa sujeira, suas cordas de nylon foram supridas parcialmente por guitarras mais agressivas e, naturalmente, os limites geográficos das suas canções foram se expandindo. “Eu sempre tive planos para o meu som, à medida que produzi discos, eles foram ganhando outras cores. Eu já queria usar guitarra desde ‘Sob o Sol’, deixar as músicas com mais energia. É um disco com pegada, com um lance pop, groove, ritmo bem marcado, mas ao mesmo tempo as músicas são um pouco mais simples. E agora percebo que é um divisor de águas na minha carreira”, analisa o músico sobre “Vertigem”.   Sampa   A guinada na carreira vai além da sonoridade das 12 faixas de “Vertigem”, que está há cerca de um ano na estrada com shows por Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, além do interior mineiro. Depois de morar por cerca de um mês na casa do produtor Gustavo Ruiz, na capital paulista – trabalhando nas gravações do álbum–, as vontades do músico começaram a ser transformadas. Se hoje ele mora em Sete Lagoas, a 60 quilômetros da capital mineira, é por causa do filho, Dante, de apenas um ano.   “Hoje é um pouco difícil pela atenção que ele demanda. Mas ainda tenho muita vontade de morar em São Paulo, sim. Mas é por uma relação criativa com o caos. Tem um milhão de pessoas amontoadas, filas, carros a perder de vista: mas não vejo isso como 100% negativo. O grande centro e o caos todo dali faz com que a gente reflita mais sobre nosso comportamento no coletivo”, diz. Mesmo com a cena mineira em efervescência, Pedro Morais, conhecido em Belo Horizonte, não titubeia ao cravar seu sonho. “Levar minha música ao mundo”, pontua. “O que eu não quero é ficar quieto, esperando a parada acontecer. A gente precisa se jogar nessas situações de desconforto mesmo. Pelo menos falando do ponto de vista artístico, é necessário se confrontar com as realidades, as coisas mais duras da vida. Eu passei muito tempo não me jogando”, diz.   Umas das formas de mergulhar em outros universos, para Pedro Morais, é o lançamento do primeiro clipe da carreira, “Vertigem”, que deve acontecer em março, com show em Belo Horizonte. Gravado em Sete Lagoas, com produção de Renato Soares e participação da bailarina Cibele Maia, as filmagens também prometem revelar um novo Pedro Morais. “Chamei a Cibele para o clipe porque eu queria que ela fizesse uma performance, pensando na letra e na delicadeza, e também para encontrar um lugar de não delicadeza, fazer um clipe não delicado. Até porque a música do disco tem uma aspereza. E revelar isso no vídeo trará outra percepção às pessoas”, afirma o cantor e compositor.   Pedro Morais No show “Vertigem”, dentro do projeto “Domingo no Museu” Museu de Arte da Pampulha (MAP) (av. Otacílio Negrão de Lima, 16.585, Pampulha), neste domingo(1º),  a partir das 11h. R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

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