Justiça liberta torcedores de Vasco e Flu, mas proíbe ida a estádios

Prisões serão substituídas por comparecimento mensal ao juízo e proibição de frequentar campos

iG Minas Gerais | Folhapress |

 A Justiça do Rio determinou nesta sexta-feira a liberdade dos 97 torcedores presos antes do clássico Vasco e Fluminense, no último domingo, pelo campeonato carioca.O pedido de habeas corpus foi feito por advogados do torcedor Lusenrik Sarandy Pinto, que acabou beneficiando também os outros acusados de formação de quadrilha e violência no esporte.

Em nota, o Tribunal de Justiça do Rio informou que as prisões serão substituídas por comparecimento mensal ao juízo e proibição de frequentar estádios de futebol ou perímetro de 5km do entorno dele, além do impedimento de sair da cidade. Os torcedores terão ainda que se apresentar duas horas antes das partidas envolvendo os times do Fluminense e do Vasco na sede da Polícia Civil, no centro da capital, onde deverão permanecer até duas horas depois dos jogos.

A decisão é do desembargador da 7ª Câmara Criminal, Joaquim Domingos de Almeida Neto. Advogados ouvidos pela reportagem comemoraram a determinação e disseram que agora aguardam o posicionamento do Ministério Público do Rio.

"Foi deferida a liminar. Eles devem ser soltos nas próximas horas. Agora, esperamos a posição do Ministério Público para saber se haverá denúncia ou não", afirmou o advogado Washington Figueiredo, que defende um vascaíno. Ele não quis divulgar o nome do seu cliente.

Na noite de quinta (26), o juiz Marcelo de Oliveira da Silva havia convertido em preventiva a prisão em flagrante dos 97 torcedores. De acordo com o magistrado, os detidos teriam que responder pelos crimes de formação de quadrilha e violência no esporte.

Na quarta (25), os pedidos de liberdade dos réus e os de substituição de prisão por medida restritiva acabaram negados pelo juiz Marcello Rubioli, titular do Juizado do Torcedor e dos Grandes Eventos.

No domingo, a Polícia Civil disse que prendeu em flagrante 99 torcedores e apreendeu 19 adolescentes. O número de presos, no entanto, caiu para 97, mas a polícia não explicou se havia contabilizado errado o número de presos ou se dois deles foram liberados por não terem envolvimento com as brigas.

Um dos presos, aliás, já havia sido detido em dezembro de 2013, quando vascaínos e torcedores do Atlético-PR entraram em conflito na arquibancada da Arena Joinville, em Santa Catarina.

CONFRONTOS

Segundo João Fiorentini, que é comandante do Grupamento Especial de Policiamento em Estádios a briga começou quando torcedores do Vasco chegaram ao bairro do Méier, próximo ao Engenhão, utilizando rota alternativa em relação à que havia sido combinada pelas organizadas em reunião na semana passada.

Fiorentini disse que "os brigões estavam armados com paus, pedras, rojões e protetores bucais, o que indica claramente que estavam prontos para uma batalha".

Os torcedores foram presos após duas brigas: uma na altura da estação de trem do Méier, por volta das 14h30, entre as torcidas Young Flu e Força Jovem do Vasco e outra, às 15h30, entre os próprios torcedores do Vasco. A reportagem procurou as torcidas organizadas, mas não obteve retorno.

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