Em encontro da cúpula do PSDB, Aécio defende protestos contra Dilma

A presidente disse que, se a corrupção na Petrobras tivesse sido investigada no governo do tucano, o chamado "petrolão" talvez não existisse

iG Minas Gerais | Folhapress |

Aecio Neves, presidential candidate of the Brazilian Social Democracy Party, PSDB, looks on during a presidential debate in Sao Paulo, Brazil, Sunday, Oct. 19, 2014. Neves will face Brazil's President Dilma Rousseff, presidential candidate for re-election of the Workers Party, PT, in a presidential runoff on Oct. 26. (AP Photo/Andre Penner)
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Aecio Neves, presidential candidate of the Brazilian Social Democracy Party, PSDB, looks on during a presidential debate in Sao Paulo, Brazil, Sunday, Oct. 19, 2014. Neves will face Brazil's President Dilma Rousseff, presidential candidate for re-election of the Workers Party, PT, in a presidential runoff on Oct. 26. (AP Photo/Andre Penner)

A cúpula nacional do PSDB foi convocada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para um encontro nesta sexta-feira (27), em São Paulo. Presidente nacional da legenda, o senador Aécio Neves (MG) deixou o encontro defendendo as manifestações contra o governo Dilma Rousseff e criticando as últimas medidas da petista.

"Com essas últimas medidas o governo da presidente Dilma está mudando o slogan que seu marqueteiro criou anos atrás. Acho que o 'Brasil, um país para todos' está virando cada vez mais o 'Brasil, o país da mentira'", disse Aécio.

"A presidente da República, com a medida provisória anunciada hoje, mais uma vez desdiz, contraria tudo aquilo que afirmou durante a campanha eleitoral: que não haveria aumento de impostos e supressão de direitos", concluiu. O governo editou uma MP que reduz o benefício fiscal sobre a folha de pagamento.

Os tucanos também saíram em defesa de FHC. Na última semana, a presidente disse que, se a corrupção na Petrobras tivesse sido investigada no governo do tucano, o chamado "petrolão" talvez não existisse. Já nesta semana, o relator da CPI da Petrobras, Luiz Sérgio (PT-RJ), pregou incluir a gestão de Fernando Henrique no escopo da investigação.

"Eu soube agora que vão fazer uma CPI sobre a mudança da capital do Rio para Brasília e que foi o Fernando Henrique o responsável", ironizou o senador José Serra (PSDB-SP). Os tucanos decidiram embarcar na tática de combater os ataques a FHC com ironia e humor.

O próprio ex-presidente aderiu à onda de memes que tomaram a internet desde a fala de Dilma. Durante o almoço, o senador Cássio Cunha Lima (PB) tirou uma foto de FHC segurando um cartaz com os dizeres "Foi FHC" com uma nota de R$ 2 acima.

'ENGODO'

Participaram do encontro com FHC, além de Aécio, Serra e Cássio Cunha Lima os senadores Tasso Jereissatti (CE) e Aloysio Nunes (SP).

Ao sair, Aécio disse que as manifestações devem ser vistas como algo "natural" e atribuiu o descontentamento com o governo Dilma ao que chamou de "engodo" na campanha eleitoral.

Aécio voltou a criticar o pronunciamento do ex-presidente Lula, esta semana, em ato de defesa da Petrobras no Rio. O mineiro classificou como "lamentável" o teor das declarações do petista.

Lula disse que Dilma precisa levantar a cabeça e dizer "eu ganhei a eleição", além de afirmar os petistas "também sabem brigar", "sobretudo quando o Stédile (João Pedro Stédile, presidente do MST) colocar seu exercito na rua".

"Lamentável o pronunciamento do ex-presidente. Em nada contribui para que o Brasil supere esse quadro, que é grave", afirmou.

Para o tucano, as manifestações de todos os setores da sociedade devem ser vistas como "naturais" na democracia. Ele disse ainda que os protestos que estão sendo organizados contra o governo são "legítimos", mas não partidários.

O tucano também não quis condenar a manifestação de militares, que, em nota, criticaram a fala de Lula, dizendo que o Brasil só tem "um exército" para defendê-lo.

"Nós vivemos numa democracia. E numa democracia todos os setores da sociedade têm o direito de se manifestar", afirmou.

LAVA JATO

O tucano, no entanto, não quis se estender quando questionado sobre as ameaças ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Disse que o natural é que as instituições ofereçam proteção quando há esse tipo de suspeita.

Já quando questionado sobre boatos de que estaria na lista de políticos investigados na operação Lava Jato, Aécio foi direto: "piada".

"Confio que o Ministério Público saberá agir de forma adequada e isenta. Felizmente as instituições continuam funcionando no Brasil", afirmou sobre a repercussão das investigações.

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