Dólar volta a R$ 2,85 após resultado das contas públicas; Bolsa cai

O dia começou com o dólar pressionado pela formação da taxa Ptax, que serve como referência para a liquidação de contratos de derivativos cambiais

iG Minas Gerais | Folhapress |

Argentina cria exigências para controlar volume de dólares no país
ADEM KAYA/ARQUIVO STOCKXPERT
Argentina cria exigências para controlar volume de dólares no país

Após bater R$ 2,92 no início dos negócios, o dólar fechou em R$ 2,85 nesta sexta-feira (27) depois de o governo anunciar que as contas do setor público encerraram janeiro com superavit de R$ 21,1 bilhões, acima do esperado pelo mercado. A notícia fez com que a Bolsa operasse em alta durante a maior parte da sessão, mas os bancos pesaram e fizeram o mercado acionário brasileiro ter baixa.

O dólar à vista, referência no mercado financeiro, caiu 0,80%, a R$ 2,854. No mês, porém, a moeda terminou com alta de 6,3%. O dólar comercial, usado em transações no comércio exterior, teve queda de 1,03%, a R$ 2,856. No mês, a valorização foi de 6,2%.

O dia começou com o dólar pressionado pela formação da taxa Ptax, que serve como referência para a liquidação de contratos de derivativos cambiais. "Todo contrato futuro de dólar vence no primeiro dia útil do mês e usa a Ptax do mês anterior para fazer a correção da diferença em relação à taxa do contrato", afirma Carlos Pedroso, economista sênior do Banco de Tokyo-Mitsubishi.

No entanto, a divulgação do superavit nas contas públicas fez com que a moeda americana recuasse em relação ao real. As contas do setor público fecharam janeiro com superavit de R$ 21,1 bilhões, valor superior aos R$ 19,9 bilhões do mesmo período do ano passado.

No acumulado em 12 meses, as contas do setor público continuam no vermelho, com deficit de R$ 31,4 bilhões (0,61% do PIB). A meta para este ano é um resultado positivo de R$ 66,3 bilhões (1,2% do PIB).

"O dado reduz o temor de um rebaixamento na nota brasileira e reverte a queda de dezembro, contribuindo para a valorização do real frente ao dólar", afirma Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho do Brasil.

Soma-se a essa notícia a divulgação de que o PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos foi revisado para baixo. O crescimento da economia do país no quarto trimestre foi mais fraco do que o estimado anteriormente e teve alta anualizada de 2,2% entre outubro e dezembro, menor que os 2,6% da primeira leitura, anunciada em 30 de janeiro.

Nesta manhã, o Banco Central brasileiro vendeu a oferta total de 2.000 contratos de swaps cambiais (equivalentes à venda de dólares no mercado futuro). Foram vendidos 500 contratos para 1º de dezembro de 2015 e 1.500 para 1º de fevereiro de 2016, com volume correspondente a US$ 98,0 milhões.

BOLSA

O resultado fiscal também ajudou a Bolsa a sustentar ganho durante boa parte do dia, mas perto do fim do pregão a queda sofrida pelos papéis de bancos acabou pesando.

O Ibovespa, principal índice do mercado acionário brasileiro, fechou com queda de 0,34%, a 51.583 pontos. No mês, porém, a Bolsa fechou com forte alta de 10%. Das 68 ações negociadas, 31 subiram, 34 caíram e três fecharam estáveis.

O volume financeiro no pregão foi de R$ 7,9 bilhões, acima do giro médio diário no ano, que é de R$ 6,67 bilhões, até o dia 26.

Os papéis de bancos acabaram pesando no final, avalia Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora. "Essas ações ganharam muito ao longo da semana. Como hoje também foi o dia para os gestores trocarem suas carteiras de fundos, pode ter contribuído para essa volatilidade", afirma.

O Itaú Unibanco fechou com queda de 1,06%, a R$ 36,50. O Bradesco caiu 1,23%, a R$ 37,60. A exceção foram as ações do Banco do Brasil, que subiram 3,09% com o bom humor que contaminou as estatais após o anúncio do resultado fiscal e das medidas do aumento de impostos sobre a folha de pagamento das empresas.

"Já se esperava algo nessa linha. O Joaquim Levy tem dado sinalização de que as desonerações adotadas no passado tendem a ser revertidas para melhorar as contas públicas, para trazer a dinâmica das contas publicas para trajetória mais sustentável", afirma Luciano Rostagno, do Banco Mizuho do Brasil.

As ações da Petrobras fecharam o dia com forte valorização. Os papéis preferenciais, mais negociados e sem direito a voto, subiram 3,24%, a R$ 9,57. Os papéis ordinários, com direito a voto, subiram 3,04%, a R$ 9,48.

No sentido contrário, os papéis do setor educacional encerraram o dia com forte baixa. As ações da Kroton caíram 9,73%, a R$ 10,39. Já os papéis da Estácio tiveram queda de 3,69%, a R$ 19,30. As ações da Marcopolo fecharam o dia com forte baixa de 9,68%, a R$ 2,24.

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