'2015 será o ano da direita nas ruas', diz ativista anti-PT

Junto com outras cerca de 30 pessoas, ele integra o grupo dos chamados "Legalistas", formado por criadores de páginas contra o PT no Facebook

iG Minas Gerais | Folhapress |

"Em 2013 a esquerda foi para rua. Em 2014, houve um hiato pela morte do Santiago [Andrade, cinegrafista da TV Bandeirantes atingido por um rojão]. Este ano vai ser o das manifestações da direita, pedindo o impeachment da Dilma e o fim da corrupção".

A afirmação é de Luiz Eduardo Oliveira, 46, corretor de imóveis e ativista anti-PT que foi fotografado na última terça-feira (24) levando socos e pontapés de militantes do PT no centro do Rio. Ele estava com um grupo de cerca de 20 pessoas na porta da ABI (Associação Brasileira de Imprensa) para se manifestar contra evento organizado em defesa da Petrobras com presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ele diz ser uma das lideranças engajadas na manifestação pelo impeachment da presidente no próximo dia 15.

Oliveira conta que os manifestantes anti-PT permaneciam do outro lado da rua quando foram agredidos por homens vestidos com camisas do Partido dos Trabalhadores e da CUT (Central Única dos Trabalhadores).

Vídeos e imagens da confusão mostram que houve agressões de ambas as partes. Oliveira, que disse ser praticante de artes marciais e que serviu por três anos na Aeronáutica, afirma que foi agredido, mas que em determinado momento "revidou para se defender".

"Eles me deram cinco bandas [rasteiras]. Quando fui correr para pedir ajuda à polícia, um deles entrou na minha frente. Eu pulei e dei um soco na cara que chegou a estourar os óculos do sujeito", disse Oliveira à reportagem.

"Nós fomos fazer uma manifestação pacífica, mas os militantes pagos pela CUT iniciaram as agressões. A gente só se defendeu".

A ofensiva de militantes de oposição ao governo nas ruas despertou a reação do dirigente petista no Rio. No mesmo dia, o presidente do PT-RJ, Washington Quaquá, defendeu que militantes do partido deem "porrada" naqueles que tentarem partir para a agressão. Em texto publicado em sua página no Facebook, ele diz que a sigla deve "pagar com a mesma moeda".

Do outro lado, Oliveira diz acreditar que o país está à beira da guerra civil. "O Lula disse que o Stédile [João Pedro Stédile, líder do MST] vai por o exército na rua. Eles são 230 mil, mas temos 5 milhões de militares na reserva aguardando o nosso chamado. Se tiver que pegar em armas, eu pego".

Ele conta que começou a protestar contra o governo em 2013, quando emergiram no país as manifestações de junho. Participou da passeata apelidada de "Marcha do milhão", que ocupou a avenida Presidente Vargas, centro do Rio, no dia 20 de junho. Na ocasião, estudantes e ativistas de esquerda e direita caminharam lado a lado no maior protesto popular visto no Brasil desde o movimento das Diretas Já.

ARMAS

A partir da experiência, Oliveira, que disse que já vinha frustrado com o governo do PT desde o escândalo do mensalão, decidiu engajar-se politicamente. Considera-se de direita, é a favor de que todo o cidadão ande armado "para garantir a segurança pública da população" e da pena de morte e contra o aborto.

Diz acreditar que o Brasil está virando uma ditadura comunista e teme que Dilma usurpe a propriedade privada. Disse que lê de tudo, "até bula de remédio", mas conta que não leu clássicos da literatura mundial.

"Essas coisas de Voltaire e não sei mais o quê, escrita em 1700, eu não leio. Eu acho que a sociedade mudou. O que eles escrevem não serve para a gente." Afirma que se informa pelas redes sociais e que não acredita nas televisões "porque estão todas a serviço do PT".

BOLSONARO E GRAÇA FOSTER

Diz ter votado em Aécio Neves (PSDB) nas últimas eleições presidenciais mais por não querer a vitória do PT do que por afinidade com o candidato tucano. Seu candidato ideal à presidência seria o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) porque "ele é o inimigo da esquerda" e "porque tem coerência".

Junto com outras cerca de 30 pessoas, ele integra o grupo dos chamados "Legalistas", formado por criadores de páginas contra o PT no Facebook, que se encontram para decidir manifestações pró-impeachment no Rio.

Foi o grupo que organizou um panelaço na porta do prédio da então presidente da Petrobras, Graça Foster, em fevereiro, poucos dias antes da renúncia da diretoria da estatal. "O dinheiro foi desviado para financiar a campanha de qual partido? Quem é a figura máxima desse partido?", disse.

Segundo ele, as páginas administradas pelos "Legalistas" alcançam um público que chega um milhão de pessoas. A sua página, "Olhar Brasileiro", no entanto, tem 1.135 seguidores. Outras da mesma corrente são maiores, como a "Pesadelo dos políticos 2.0", que tem 73.746 curtidas, e Movimento Brasil Livre, com 46.464.

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