Bloqueios continuam pelo país

Categoria reclama de defasagem de 14% do frete; prejuízos somam R$ 1 bilhão

iG Minas Gerais | ludmila pizarro/FERNANDA VIEGAS/JOSÉ VÍTOR CAMILO |

Continua. Várias rodovias do país continuaram bloqueadas ontem
Continua. Várias rodovias do país continuaram bloqueadas ontem

A proposta de acordo do governo federal não foi o suficiente para acabar com o movimento dos caminhoneiros no país que se estendeu por toda a semana. Nesta quinta, chegaram a 93 os pontos de manifestações em todo o Brasil. Em Minas Gerais, a BR–050, na altura de Araguari, no Triângulo Mineiro, foi liberada após a Polícia Rodoviária Federal (PRF) acionar um oficial de Justiça para fazer valer a liminar emitida na última terça-feira. “Se a coisa não avançar e o preço do óleo diesel continuar alto, não tem como continuar rodando. Pode voltar a parar aqui em Minas Gerais sim”, diz o presidente do Sindicato Interestadual dos Caminhoneiros, José Natan Emídio Neto.

As dificuldades do setor também estão sendo discutidas pelas empresas. O valor do frete praticado no Brasil apresenta uma defasagem de 14,11% segundo uma pesquisa realizada com mais de 250 empresas do setor, realizada pela Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), através de seu Departamento de Custos Operacionais, Estudos Técnicos e Econômicos (Decope). “Embora parte do mercado tenha se mostrado sensível às necessidades da recomposição dos fretes, isso não tem efetividade na prática. Prova disso são as dificuldades que as empresas de transporte enfrentam hoje para recuperar suas margens”, avalia Neuto Gonçalves dos Reis, coordenador do Decope. Para o presidente da NTC, José Hélio Fernandes, além do preço do combustível, outros elementos que compõe o custo da transportadora não são remunerados como o tempo da carga e descarga, os custos causados pelas restrições à circulação de caminhões, guarda de mercadorias, uso de escoltas e emprego de veículos dedicados. “Muitas vezes, os custos com esses serviços são superiores ao próprio frete arrecadado. É uma situação injusta e inaceitável, que precisa ser equacionada pelas partes”, explica Fernandes. Para o diretor secretário do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas do Estado de Minas Gerais (Setcemg), Ulisses Martins Cruz, um dos problemas é a pulverização do mercado. Isso também dificulta, segundo Martins, a definição de um preço médio por frete. “No Brasil, uma pessoa com uma caminhonete pode fazer frete. As práticas de preço são muito variadas e, dependendo do setor, a entrega é a mesma. É diferente o preço de uma empresa com uma carga de impostos de 32% e uma microempresa com carga de 8%”, afirma. Para Martins, porém, a regulação do valor do frete pelo mercado é a melhor forma. “O mercado se equilibra. Ele se regular é sempre melhor”, opina.

Governo descarta novo acordo Brasília. Apesar do prosseguimento dos bloqueios em rodovias de todo o país, depois de um acordo ser assinado entre governo e caminhoneiros pelo fim do protesto dos trabalhadores, a Secretaria-Geral da Presidência da República informou nesta quinta que não trabalha com uma nova proposta e que a expectativa é que o movimento se dissipe ao longo dos próximos dias. Os grevistas dizem que não são representados pelos sindicatos da categoria e quo o movimento é espontâneo.

Pintinhos Segundo dados de entidades ligadas à agricultura, a cadeia produtiva do leite e granjeiros já registra um prejuízo de R$ 10 milhões/dia. Cerca de 1,65 milhão de pintinhos foram descartados nas estradas no Sul do país e também no Sudeste. Leite também foi perdido e jogado fora.

R$ 1 bilhão Os prejuízos causados pelos bloqueios dos caminhoneiros já supera R$ 1 bilhão no país, levando em conta as perdas estimadas por empresas e secretarias estaduais de Agricultura. O cálculo não leva em consideração as perdas na safra da soja, uma vez que a colheita atrasa por falta transporte.

Porto Santos Insatisfeitos com o acordo fechado na quarta com o governo federal, cerca de cem caminhoneiros autônomos fizeram uma passeata pacífica no início da tarde desta quinta no cais do Porto de Santos. O protesto foi organizado pelo sindicato local da categoria e atrasou alguns embarques.

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