Operações da PF retiram 3 t de drogas de circulação por ano

Com oferta menor de entorpecentes, preço da cocaína subiu 50%; no caso da maconha, valor dobrou

iG Minas Gerais | Aline Diniz |

Navajo. Uma das estratégias da polícia é atacar o cofre das quadrilhas
POLICIA FEDERAL / DIVULGAÇÃO
Navajo. Uma das estratégias da polícia é atacar o cofre das quadrilhas

Quatro grandes operações concentradas no Triângulo Mineiro, principal porta de entrada de drogas do país, reduziram a quantidade de entorpecentes circulando em bocas de fumo do Estado, inclusive de Belo Horizonte. Segundo a Polícia Federal, cabeça das ações, a prisão e manutenção dos líderes dos grupos na cadeia, além das perdas financeiras, nos últimos três anos, desarticularam as quadrilhas e levaram a essa redução de entorpecentes. O delegado Carlos Henrique Cotta D'Ângelo estima que, desde 2011, três toneladas deixaram de circular na região, por ano. Prova da falta da mercadoria é um encarecimento da ordem de 50% na cocaína e de 100% no caso da maconha vendida nas ruas do Triângulo.

D’Ângelo, que atua na região, considera a redução de drogas significativa. Como comparativo, ele cita uma das quadrilhas presas, que em oito anos transportou 30 toneladas de cocaína. Desde o início da intensificação das operações, o delegado afirma que 120 pessoas já foram presas – dentre elas líderes das organizações. Onze aeronaves, 70 veículos, 12 motocicletas, três motos aquáticas e duas lanchas foram apreendidas. Seis propriedades rurais e outros 30 imóveis também estão sob custódia da Justiça, atualmente. Reestruturação. Segundo o delegado Alexandre Leão, da capital, a prisão desses líderes torna difícil a reestruturação dos grupos criminosos, até mesmo por conta da maneira como eles se organizam. De modo mais complexo que as pequenas quadrilhas do Estado, afilhados e companheiras dificilmente “herdam” o lugar do líder, preso ou morto, na organização. “Essas operações acabam dando golpe na maneira como essas organizações se articulam. E muitas vezes também quem poderia ser um herdeiro do líder já tem atuação criminosa e acaba preso junto com ele”, explica o delegado. Entre as operações está a Krull, de novembro de 2014. Um dos principais fornecedores de drogas para o Primeiro Comando da Capital (PCC), organização criminosa paulista, foi preso. O traficante, que cumpria pena em regime aberto em Juiz de Fora, na Zona da Mata, estava em Iturama, no Triângulo, de onde articulava as ações da quadrilha se passando por pecuarista. O grupo movimentava uma tonelada de cocaína por mês. Fora do Triângulo, mas no mesmo ano, o juiz Amaury de Lima e Souza foi um dos detidos durante a operação Athos, deflagrada em Minas e em outros cinco Estados. Ele foi detido em Juiz de Fora acusado de usar seu cargo para libertar traficantes.

Investigação Em sigilo. A Polícia Federal não informou qual a estrutura da corporação na investigação do tráfico de drogas nem quantas apurações estão em andamento no momento.

Fora do Triângulo Operação Athos. Em dezembro de 2014, a Polícia Federal prendeu uma quadrilha de tráfico internacional que faturava R$ 20 milhões por mês. As drogas eram trazidas da Bolívia para Juiz de Fora, na Zona da Mata, e distribuídas pelo Brasil. Juiz. A suspeita é que a quadrilha contasse com o apoio do juiz Amaury Souza, acusado de vender decisões judiciais autorizando transferências e liberações para traficantes detidos. 

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