Afrodescendência no corpo

Espetáculo “Entre o Céu e as Serras”, da Cia de Dança Palácio das Artes, se mantém atualizado após 15 anos da estreia

iG Minas Gerais | Joyce Athiê |

Cia de Dança Palácio das Artes traz o corpo afrodescendente que passeia entre o leve e o pesado
Guto Muniz
Cia de Dança Palácio das Artes traz o corpo afrodescendente que passeia entre o leve e o pesado

Ainda em 2000, quando dirigia seu primeiro trabalho na Cia de Dança Palácio das Artes, Cristina Machado estreou “Entre o Céu e as Serras”. Em 2014, quando retornou ao posto após ter ficado quatro anos afastada, a diretora decidiu reavivar o espetáculo que, embora nunca tivesse saído do repertório, não era apresentado desde 2005. “Com seis novos integrantes, o momento era oportuno para resgatar um trabalho que inaugurou a pesquisa do grupo que se abre à participação dos bailarinos em todas as etapas de criação”, comenta. O espetáculo pode ser visto de hoje a domingo, no Palácio das Artes, pela programação da Campanha de Popularização do Teatro e Dança.

O estímulo para a montagem veio da vontade de voltar os olhos para temas da cultura mineira. Em pesquisa de campo, as visitas a Ouro Preto e redondezas contribuíram para um mergulho nos séculos XVIII, XIX e início do XX, de onde vieram as referências do congado, da religiosidade e do barroco.

A bailarina Mariângela Caramati, que está na montagem desde o início, relembra que, das minas e das ruas ouropretanas, a pesquisa trouxe o corpo afrodescendente, forte e resistente, que, ao mesmo tempo, se combalia com as dificuldades. “Descobrimos o peso da terra e da raiz que verticalizam esse corpo, dando sustentação”, diz.

Christiano Castro integrou a companhia no exato momento da remontagem. “A primeira semana foi pesada. Mesmo depois de muito tempo, os bailarinos ainda tinham toda a movimentação no corpo. Foi preciso muita conversa e exercício para chegarmos aonde eles chegaram e construirmos os diferentes corpos que estão no espetáculo, do mais lento ao mais pesado”, relembra.

A remontagem manteve a estrutura coreográfica, com atualizações principalmente na tecnologia. Cristina lembra ainda que utilizavam fita VHS e um projetor de apenas 2.000 lumens, que não permitia uma projeção de qualidade. Além disso, a trilha original foi remasterizada, e as cenas musicais receberam novos acabamentos. Mas, para ela, a principal atualização veio no gestual, que foi revisitado e que agora recebe toda a bagagem da companhia adquirida nestes 15 anos. “Conseguimos dar maior requinte e lapidação coreográfica”, explica.

O ambiente cenográfico idealizado por Wanda Sgarbi traz as cores da terra de Minas Gerais, impregnado de um ambiente geográfico terroso e interiorano. O espetáculo traz ainda iluminação de Ney Matogrosso e figurino de Marco Paulo Rolla. Após as apresentações na Campanha, a Cia segue para São Paulo e Recife.

Agenda

O quê. “Entre o Céu e as Serras”

Quando. Hoje e amanhã, às 20h, e domingo, às 19h

Onde. Grande Teatro Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1537 - Centro) Quanto. R$ 26 (inteira) e R$ 13 (meia), na bilheteria do Palácio das Artes. R$ 12, nos postos do Sinparc

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave