Tudo mudou

iG Minas Gerais |

Certa vez, o antropólogo Roberto Damatta destacou que existia no Brasil um dito popular que versava sobre a existência de só três coisas sérias em nosso país: a cachaça, o jogo do bicho e o futebol. Curioso que essa lista de unanimidades nacionais fosse constituída por uma bebida alcoólica – um “espírito” que ajuda a comemorar alegrias e a esquecer as frustrações; uma loteria clandestina que junta números com animais, sonhos com desejo de fácil ascensão social, políticos profissionais e “homens de bem” com notórios contraventores; e, finalmente, um esporte moderno inventado pelos ingleses e adotado pelos brasileiros com uma paixão somente igualada por sua perícia em pratica-lo. Passadas algumas décadas, vejo que a cachaça foi industrializada, o jogo do bicho caiu de vez na clandestinidade e o futebol se elitizou. Ingresso para assistir a jogos de futebol no estádio a R$ 400 e camisa oficial de clube a R$ 250. O Campo de futebol virou estádio e se transformou em arena num piscar de olhos. O povão, para Nelson Rodrigues, e a massa, para os antropólogos, está pouco a pouco cedendo espaço para os expectadores de um futebol movido a bilhões de $$$.

Concorrência. Cruzeiro, América e Atlético já lançaram suas coleções de uniformes para 2015 em três belas e inovadoras festas. As camisas ficaram mais bonitas, e também mais caras. O alto preço dos produtos estimula a pirataria e é uma pena ver que nosso país acha normal a falsificação de produtos e serviços. Cafunga já dizia que o errado é que é o certo.

Inaceitável. A truculência e o autoritarismo encontram espaço nesse futebol bilionário. Um absurdo a Conmebol chegar em Belo Horizonte e mandar cobrir os escudos do América que estão no Estádio Independência. Uma instituição retrógrada e decadente que ainda não percebeu que os anos de chumbo passaram e que o futebol estimula a convivência.

Calma. O Cruzeiro, que estreou na Libertadores, não jogou bem, mas mostrou que Marcelo Oliveira está no caminho para montar mais um time competitivo. Um esquema com um centroavante de referência e meias habilidosos trabalhando a bola. O grupo tem potencial de crescimento e vai agradar o torcedor em breve.

De novo não! Três derrotas seguidas, duas no Independência. A torcida já havia desacostumado com isso. Será que o erro está na insistência em jogar com um centroavante de área? Não é só isso. Reintegrar os três atletas baladeiros foi um equívoco sintonizado na caixa de ressonância do grupo do bem. Vejo um Atlético sem alma, sem coração, jogando sem fé e sem confiança.

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