Número dois do chavismo mostra supostas provas de plano de golpe

Presidente da Assembleia Nacional Diosdado Cabello apresentou supostas provas de um plano da oposição para derrubar o presidente do país durante programa de TV

iG Minas Gerais | Folhapress |

Abuso. 
Os últimos três meses tiveram tantas manifestações no país quanto todo o ano de 2013, quando foram registrados 4.410 atos
Fernando Llano
Abuso. Os últimos três meses tiveram tantas manifestações no país quanto todo o ano de 2013, quando foram registrados 4.410 atos

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela e número dois do chavismo, Diosdado Cabello, apresentou na noite desta quarta-feira (25) supostas provas de um plano da oposição para derrubar o presidente do país, Nicolás Maduro.

Durante seu programa semanal "Con el Mazo Dando", transmitido pela emissora estatal VTV, Cabello apresentou áudios de uma conversa telefônica que afirma ser do presidente do partido opositor Copei, Antonio Ecarri, com o secretário do partido, Rogelio Díaz.

Durante a conversa, os dois convocam ações nas ruas e afirmam que um golpe de Estado é o caminho para uma mudança radical no país.

Ainda durante o programa, uma série de áudios atribuídos ao tenente reformado da Aeronáutica Luis Hernando Lugo Calderón mostram um plano de ataque com aviões a alvos específicos em Caracas e a gravação de um vídeo para exigir a renúncia de Maduro.

Segundo o programa, Calderón revelou que o tenente Henry Zalazar o convidou a participar do vídeo que iria ser feito em ocasião do golpe de Estado, que estaria sendo gestado desde o ano passado.

Povo nas ruas

Na última terça-feira (24), um tiro disparado pela polícia matou um adolescente de 14 anos durante uma manifestação estudantil antigoverno em San Cristóbal, extremo oeste da Venezuela, deflagrando uma onda de revolta na cidade.

San Cristóbal ficou conhecida por ser o ponto de partida dos protestos estudantis que estremeceram a Venezuela em 2014, com impacto político sentido até hoje.

O governo diz que as manifestações eram uma tentativa de golpe. Vários líderes opositores acusados de instigar os protestos foram presos desde então, como o prefeito de San Cristóbal, Daniel Ceballos, e o ex-prefeito de Chacao Leopoldo López.

Na semana passada, o prefeito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma, foi preso sob a mesma justificativa. Deputados leais a Maduro preparavam nesta terça medidas contra o deputado opositor Julio Borges, a quem pretendem cassar e denunciar por golpismo.

A oposição diz que a única resposta do governo diante da crise econômica (que gera inflação de quase 70% e desabastecimento) é o aumento da repressão.

Leia tudo sobre: venezuelachavismogolpe