Apesar de preço baixo do minério, lucro da Vale aumenta 729% em 2014

Principal mina da companhia, Carajás (PA) também teve seu melhor desempenho na história, com extração de 119,7 milhões de toneladas

iG Minas Gerais | Folhapress |

Vale/Divulgação
undefined

Mesmo com o cenário de baixo preço do minério de ferro, o lucro da Vale saltou 729% para R$ 954 milhões em 2014. No ano anterior, o lucro da mineradora brasileira havia sido de R$ 115 milhões. Apesar disso, se contado apenas o quarto trimestre a empresa teve prejuízo de R$ 4,7 bilhões.

Impactou positivamente o lucro o fato de a empresa ter batido recordes de produção no último trimestre de 2014, e feito a redução de despesas e a manutenção de sua política de venda de ativos não considerados estratégicos.

O preço do minério de ferro, em trajetória de queda desde o início do ano passado, reduziu todos os indicadores financeiros da companhia, tais quais receita e geração de caixa. O efeito, contudo, foi mitigado pelo bom desempenho operacional, com recordes de produção de minério de ferro, produto que representa quase 70% de sua receita, cobre e ouro.

A receita operacional líquida da Vale caiu 13% em 2014 e ficou em R$ 88,2 bilhões. Em 2013, a receita da mineradora havia sido de R$ 101,4 bilhões. A China continuou a ser o principal destino da produção da Vale, responsável por 33,1% das receitas da companhia. O Brasil respondeu por 17,3% das vendas no ano passado. Apesar de a empresa ter dado lucro, três das suas quatro linhas de produtos -minerais ferrosos, carvão e fertilizantes-apresentaram redução de receita em 2014 ante 2013. Apenas metais básicos, no que se inclui níquel, cobre ouro e prata, tiveram vendas maiores.

Quarto trimestre

Apesar dos lucros no ano de 2014, a Vale teve prejuízo no quarto trimestre, de R$ 4,7 bilhões. O prejuízo cresceu em relação ao do terceiro trimestre, de R$ 3,3 bilhões, mas caiu em relação ao verificado em igual período de 2013, quando foi de R$ 14,8 bilhões.

A receita líquida avançou para R$ 23,1 bilhões no último trimestre de 2014, montante que representa alta de 12% ante o terceiro trimestre e queda de 22% ante o quarto trimestre de 2013.

A geração de caixa medida pelo Ebitda foi de R$ 5,5 bilhões e caiu nas duas bases de comparação. Frente ao trimestre imediatamente anterior, a queda foi de 18%. Ante o último trimestre de 2013, o recuo foi de 63%.

Caixa

O Ebitda, indicador que mede a geração de caixa da empresa, também recuou em 2014 para R$ 31,1 bilhões, queda de 36% em relação a 2013. O indicador sofreu impacto principalmente do menor preço das commodities e também de menores dividendos das empresas afiliadas da Vale. O impacto poderia ter sido maior caso o real não estivesse desvalorizado em relação ao dólar. Como a empresa tem custos em real e exporta a maior parte de sua produção, ela se beneficia da alta da moeda americana.

Dívida

A dívida líquida da Vale avançou 1,4% no ano passado -era de US$ 24,331 bilhões em 2013 e foi para US$ 24,685 bilhões em 2014. A relação dívida/Ebitda, importante indicador do grau de endividamento da empresa que mostra, em tese, em quantos anos o caixa da empresa pagaria sua dívida, era de 1,3 vezes ao final de 2013 e foi para 2,2 vezes ao término de 2014.

Mina encalhada

A Vale registrou uma perda de R$ 2,7 bilhão com o projeto de Simandou, mina localizada na Guiné Equatorial, oeste da África. A empresa reconheceu um "impairment", que é um valor de investimento que fica parado, de R$ 1,676 bilhão. A companhia já havia reconhecido no primeiro semestre de 2014 um valor de R$ 1,118 bilhão.

Esses valores correspondem aos investimentos feitos na Guiné. Sob a gestão anterior liderada por Roger Agnelli, a Vale pagou R$ 5,5 bilhões em 2010 por 51% da reserva à empresa israelense BSG. O governo da Guiné, porém, viu indícios de corrupção e problemas na concessão dada à BSG e cancelou o contrato de exploração.

Produção

A Vale registrou recorde na oferta anual de minério de ferro -de 331,6 milhões de toneladas em 2014, incluindo a produção própria de 319,2 milhões de toneladas e 12,3 milhões de toneladas de minério adquirido de terceiros.

Principal mina da companhia, Carajás (PA) também teve seu melhor desempenho na história, com extração de 119,7 milhões de toneladas, 14,8 milhões de toneladas acima de 2013.

No quarto trimestre, a mineradora bateu recorde de produção para o período, com extração de 83 milhões de toneladas, 1,7 milhões de toneladas a mais que no quarto trimestre de 2013.

Leia tudo sobre: valeeconomiamineradoraminério