Esgoto era só 20% da poluição

É preciso tratar os oito córregos que deságuam na lagoa para ter a água limpa definitivamente

iG Minas Gerais | Joana Suarez |

Relembre. Desassoreamento, feito pela prefeitura de maio a agosto de 2014, custou R$ 108 milhões
LEO FONTES / O TEMPO
Relembre. Desassoreamento, feito pela prefeitura de maio a agosto de 2014, custou R$ 108 milhões

Apesar de caros e demorados, o desassoreamento na lagoa da Pampulha, na capital, e a retirada do esgoto dos córregos que deságuam no leito feitos em 2014 não vão garantir a limpeza definitiva da água. Segundo Luiz Mário Queiroz Lima, doutor em engenharia hidráulica e saneamento, mesmo sem o esgotamento, que representava apenas 20% da poluição, córregos continuarão poluindo a lagoa ao levar os sedimentos carregados pela água da chuva, que hoje representam 80% dos resíduos. Para evitar isso e tratar os córregos antes de a água chegar à lagoa, a Prefeitura de Belo Horizonte vai implantar projeto piloto de estação de tratamento natural da água, em que plantas atuam como filtros.

Mais barata que as estações de tratamento tradicionais, a tecnologia é conhecida como jardins filtrantes e consiste em tanques que não usam aditivos químicos nem energia (ver infográfico abaixo). “Não tem bomba, barulho, nem cheiro, apenas um jardim bonito”, disse o engenheiro, que trabalha com a técnica há 40 anos. Ele foi contratado pelo Executivo para desenvolver o projeto da estação nos fundos do Jardim Botânico (no zoológico) e tratar inicialmente os córregos Água Funda e Bom Jesus.

“Isso vai representar menos 30% da poluição na lagoa. A retirada do esgoto foi importante, mas o maior problema é a poluição difusa, que vem com a água da chuva”, explicou. O projeto vai terminar na próxima semana e será licitado.

Prazos. A obra vai durar cerca de quatro meses. Conforme o engenheiro, se o tratamento dos oito córregos que atualmente poluem a lagoa for todo feito por jardins filtrantes irá demandar investimento de R$ 47 milhões e pode ser implantado em dois anos – só o desassoreamento, feito pela prefeitura de maio a agosto de 2014, custou R$ 108 milhões.

O prefeito Marcio Lacerda informou ontem que quando o piloto for concluído já terá o recurso para a expansão da técnica em vários córregos da capital. “A Copasa aparentemente não dá conta de segurar toda essa poluição, inclusive de esgoto clandestino, então ao longo do tempo ficará mais barato a gente investir no tratamento dos córregos que ficar desassoreando a lagoa ou fazendo a limpeza da água”, disse.

Em nota, a Superintendência de Desenvolvimento de Belo Horizonte (Sudecap) informou que “espera-se que, com a implantação desta estação, haja melhora significativa na qualidade das águas lançadas na lagoa”.

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