Sem insumo, indústria trava

De toda a carga transportada no Brasil, 61% dependem das estradas para chegar aos destinos

iG Minas Gerais | Queila Ariadne ludmila pizarro |

Mais caro. Redução na oferta de hortifrúti fez preços subirem em média 7,8% ontem, na CeasaMinas
FERNANDA CARVALHO / O TEMPO
Mais caro. Redução na oferta de hortifrúti fez preços subirem em média 7,8% ontem, na CeasaMinas

A greve dos caminhoneiros, que ainda ocupam algumas rodovias estaduais em Minas Gerais, piorou a vida da indústria, que já não estava nada boa. Sem receber matéria-prima, o setor, que terminou 2014 com queda de 6,2% no faturamento, está sendo obrigado a reduzir a produção. “O prejuízo é muito grande. Com as estradas bloqueadas, não chegam os insumos e a indústria não consegue produzir. Também não consegue escoar o que está pronto, porque as estradas estão paradas”, afirma o economista da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Paulo Casaca.

Ontem, a fábrica de pão de queijo Forno de Minas não funcionou nos turnos da manhã e da tarde porque o caminhão de ovos não conseguiu chegar. Na noite de terça-feira, as atividades também tiveram que ser suspensas, por falta de matéria-prima. “Deixamos de produzir 120 toneladas. Ainda não conseguimos calcular as perdas porque, além de não fabricar, também deixamos de entregar”, afirma o presidente da Forno de Minas, Hélder Mendonça.

Segundo o empresário, um dia de prejuízo no atual contexto econômico faz muita diferença. “Essas vendas que deixamos de fazer são irrecuperáveis”, destaca.

A Fiat, que já tinha parado os três turnos na segunda-feira e dois turnos na terça-feira, também suspendeu a produção durante a manhã e a tarde de ontem. A montadora não informou quantos carros deixou de fazer, mas, considerando a produção diária de 3.000 unidades, estima-se que deixaram de ser montados cerca de 7.000 veículos. A previsão era retomar a produção na noite de ontem.

Segundo dados da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), 61% da carga do Brasil é transportada via rodovias. Devido ao elevado grau de dependência das estradas, bloqueios nas estradas trazem grandes impactos, fazendo a oferta cair e elevando os preços. E ainda há risco de faltar produtos. Ontem, já faltavam alguns itens na CeasaMinas.

“A manifestação dos caminhoneiros afetou a entrega de hortifrúti, principalmente as frutas importadas que vinham do Chile, Uruguai e Argentina. A boa notícia é que os caminhões já começaram a chegar aos pátios e os supermercados estão normalizando o abastecimento. Não acredito que vai haver aumento de preço, talvez uma variação momentânea”, afirma o superintendente da Associação Mineira dos Supermercados (Amis), Adilson Rodrigues.

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