Construir na capital deve ficar mais caro em 2015

Documento enviado para a Câmara Municipal aumenta valores de 20 taxas

iG Minas Gerais | Bárbara Ferreira |

Reclamação. Com mudança nas taxas atuais, custo por obra aumentaria em R$ 50 mil, em média
JOAO GODINHO / O TEMPO
Reclamação. Com mudança nas taxas atuais, custo por obra aumentaria em R$ 50 mil, em média

Construir pode ficar cada vez mais caro em Belo Horizonte. Além de uma série de mudanças com o novo Plano Diretor da cidade, tramita na Câmara Municipal um projeto de lei que aumenta cerca de 20 taxas para a liberação de obras. A mais cara delas é a de aprovação para edificação, que, caso seja aprovada, passará de R$ 0,55 para R$ 1,16 por m². Isso significa um aumento de 111% apenas nessa taxa. Gasto que, segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), pode representar, em média, R$ 50 mil em cada obra.

O prefeito Marcio Lacerda justifica a medida pela necessidade de contratar mais 25 arquitetos para o setor, na prefeitura. “No fim do ano passado, me comunicaram que o prazo para a aprovação de uma obra estava em 90 dias, quando a nossa meta é de 45. Para isso, precisamos de mais 25 arquitetos, mas não há recursos no orçamento. Então fizemos o projeto e enviamos para a Câmara. Com isso, vamos arrecadar mais R$ 2,5 milhões por ano e reduzir o prazo”, afirma o prefeito.

Qualidade. Para o diretor de Projetos do Sinduscon, Renato Ferreira Machado Michel, além de encarecer as obras em um momento em que a economia do país não está crescendo, já é um prejuízo. No entanto, segundo ele, se o serviço ofertado fosse rápido e de qualidade, os construtores pagariam mais caro. “O nosso entendimento é que a qualidade do serviço não é satisfatória. Hoje, gastam entre seis meses e um ano para aprovar um projeto. Ele vai e volta várias vezes, e há atrasos. A prestação não vale nem os atuais R$ 0,55”, reclama.

E, diferentemente do que o prefeito anunciou, o setor não foi consultado sobre o aumento das taxas. “Não apresentaram o valor que é arrecadado, nem os custos com o serviço. Não sei se há realmente necessidade desse aumento. E não acho que falte pessoal, o problema e com a gestão”, afirma Michel.

A expectativa do Sinduscon com o novo Plano Diretor é de que haja um aumento significativo para as construtoras e que isso deve ser sentido também pelos compradores. No início de março, o projeto de lei com a alteração do Plano Diretor deve chegar à Câmara. O texto pode ser alterado pelos parlamentares, mas, para ser aprovado, precisa do sim de 2/3 dos vereadores.

A assessoria de imprensa da Secretaria Municipal Adjunta de Regulação Urbana se comprometeu a enviar hoje uma nota de esclarecimento sobre os atrasos na liberação das obras e a necessidade de novos investimentos, como a contratação de arquitetos. (Com Bernardo Miranda)

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