Sem dinheiro e sem resposta

iG Minas Gerais |

E a promessa de pagar o piso nacional dos professores da rede pública, com um cálculo diferente do da gestão anterior? O Estado está quebrado. E o aumento do efetivo da Polícia Militar em 12 mil homens? O Estado está quebrado. E a criação imediata dos conselhos regionais de participação popular? O Estado está quebrado... A cada questionamento sobre os projetos do atual governo mineiro ou apenas o cumprimento de algumas das promessas de campanha, a resposta tem sido a mesma: a dificuldade financeira herdada pela administração petista. Apesar de verdadeira, a justificativa aponta para algumas reflexões. A situação deficitária do Estado – agravada ou não durante os últimos 12 anos de gestão tucana – já era sabida há muito, inclusive foi uma das principais armas dos concorrentes ao Palácio Tiradentes, especialmente Fernando Pimentel (PT), para derrotar o então candidato da situação, Pimenta da Veiga (PSDB). Então causa certa estranheza, do ponto de vista administrativo, ficar até agora apenas olhando para o retrovisor e culpar um rombo nas contas. A alegação é de um buraco no orçamento superior ao previsto, mesmo assim, já se esperava falta de dinheiro. Ou seja, os projetos anunciados, se foram verdadeiros, levavam ou deveriam ter levado em conta recursos limitados nos cofres estaduais. Pelo lado político, fica mais fácil o entendimento dessa estratégia: levantar todas as ações desastrosas escondidas ou omitidas nas últimas três gestões para atingir o PSDB e o seu hoje principal líder, o senador Aécio Neves, governador de Minas por dois mandatos, 2003 a 2010. Essa ação pode ser legítima, mas tem prazo de validade. Vencido os primeiros meses, o eleitor vai se cansar dessa tática de jogar a culpa no passado e vai se perguntar: e agora? Onde estão os programas, as melhorias prometidas durante a campanha eleitoral? E, apesar de ser cedo – o próprio governo se deu um prazo informal de três meses para se inteirar da verdadeira situação da máquina do Estado e poder agir com as próprias pernas –, ações e intenções da administração Pimentel já vão na direção contrária do discurso pregado até o momento. Como antecipou ontem O TEMPO, a Cemig estuda criar um conselho para ex-presidentes com remuneração mensal de R$ 15 mil. A Assembleia aprovou, sem nenhuma pressão contrária do Executivo e inclusive com votos da base de Pimentel, o retorno do pagamento de auxílio-moradia a todos os deputados, mesmo aqueles com residência em Belo Horizonte. O fim do pagamento das férias-prêmio para servidores, anunciada como medida de contenção de custos, não é válido para todos, e há uma série de exceções já concedidas após a publicação do decreto. Enfim, o estrago nas contas do Estado é real e é um grande entrave, mas não servirá de desculpa para a paralisa do governo Pimentel por muito tempo. 

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