A poligamia artística de Enzo

Vocalista do Porcas Borboletas, Enzo Banzo lança hoje, em Belo Horizonte, seu primeiro livro, “Poesia Colírica”

iG Minas Gerais | lucas buzatti |

“Poesia Colírica”. Primeiro livro do artista mineiro conta com poemas que falam de amor, transitando entre a poesia e a musicalidade
claiton borges/divulgação
“Poesia Colírica”. Primeiro livro do artista mineiro conta com poemas que falam de amor, transitando entre a poesia e a musicalidade

Foram as letras de Caetano, Chico e Tom Zé que levaram Enzo Banzo a tornar-se um leitor voraz de poesia, devorando, posteriormente, Leminski, Manuel Bandeira e Oswald de Andrade. A música, na verdade, não parecia ser um dote do mineiro durante sua infância em Uberlândia. Era um ouvinte atento, mas desafinado; enquanto tinha a escrita afiada, mas ainda não consumia poesia.

Difícil, portanto, saber qual das expressões artísticas veio primeiro e como elas se misturaram na vida de Enzo. Na verdade, pouco importa, como ele garante: “Eu gosto mesmo é de transitar, de fazer essa bagunça. A arte é poligâmica”, crava o vocalista da banda Porcas Borboletas, que lança hoje, em Belo Horizonte, seu primeiro livro, “Poesia Colírica”.

Trata-se de um recorte feito por Banzo a partir de sua gaveta, que acumulava 15 anos de poemas não publicados. “Com o tempo, vi que o material estava chegando a uma integralidade de linguagem, cada vez mais consistente. E parti para a decisão de lançar o livro”, conta. Sobre a forma dos poemas escolhidos, o artista conta que seu estilo preza pela concisão e pela simplicidade. “É um livro que tem uma linguagem muito simples, muito econômica. São panos curtos, mais apaguei do que escrevi. Enxuguei os poemas para ficar só o essencial. Acredito naquela de que poesia é o máximo de sentido com o mínimo de palavras. Então, essa foi uma busca consciente”, explica Banzo, que também é graduado em letras.

O artista afirma que o trabalho com a música também influencia sua criação poética. “Transito pela vertente da musicalidade da palavra. Tenho um cuidado com a forma gráfica, mas não parto disso, e sim desse cruzamento com a música. O ritmo do texto é um critério mais do que natural para mim. Na canção me interessa a poética e, na poesia, a musicalidade. Trabalho com esse cruzamento de linguagens”, ressalta. “Tem muita música que faço como poesia e, passam-se dois, três anos, e pinta uma melodia. Aí acabo virando um parceiro meu, de outro tempo”.

O tema que funciona como o fio condutor dos 50 poemas que compõem o livro é nada menos que o amor, como explicita a contracapa. “O título brinca mais com a forma, esse lance do colírio e da lírica, da gota. Já a contracapa diz: O amor é o mais ‘chiclê’”, diz o autor, que já lançou o livro em São Paulo e Uberlândia. “Filtrei a temática para chegar num assunto comum, de identificação coletiva, presente no universo de todo mundo. Com o amor, encontrei uma linguagem universal”, relata, ponderando: “Mas é só uma temática predominante, existem outros assuntos também, como a solidão, a infinitude. Tem um que se chama ‘O Sonho Acabou’, que brinca com essa história do sonho. Somos de uma geração pós-hippie, pós-poesia marginal, pós-moderna. Uma geração de artistas que chegam no universo quando parece que tudo já foi sonhado. Como ficamos nesse espaço?”, questiona.

Para o lançamento do livro, Enzo Banzo fará, pela primeira vez, o show “CANÇÕESsobrePOEMAS”, dividido em duas partes. “Faço um primeiro bloco exclusivamente com textos livres, alguns cantados, outros falados, junto ao violão e à bateria. É uma região de limite entre canto e fala”, afirma. “A segunda parte vai ter participação do José Luís Braga, do Graveola. Vou fazer algumas coisas do repertório do Porcas, em versão pocket. Principalmente as canções que são poemas musicados por mim, como ‘Eu’, do Arnaldo Antunes”. Vamos fazer também “Benzinho”, do Graveola, e várias canções minhas que não estão nem em discos, nem em livros”.

A banda mineira Hotel Catete também se apresentará durante o evento.

No sábado, Enzo Banzo apresenta, com o parceiro de banda Danislau, um sarau poético no Memorial Minas Gerais Vale (praça da Liberdade, s/nº, esquina com rua Gonçalves Dias), entre 11h e 13h.

Agenda

O QUÊ. Lançamento do livro “Poesia Colírica”, com show de Enzo Banzo e Hotel Catete

QUANDO. Hoje, a partir das 20h

ONDE. Autêntica (rua Alagoas, 1.172, Savassi)

QUANTO. R$ 20

LIVRO. O livro custa R$ 19,90 e já esta disponível para venda no site da editora Letramento

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