Incêndio indie no Galpão

Festival de música ocupa, amanhã e sábado, o Galpão Cine Horto com seis bandas, incluindo dois lançamentos de discos

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Teach Me Tiger. Yannick e Chris preparam primeiro disco
lfqr/divulgação
Teach Me Tiger. Yannick e Chris preparam primeiro disco

Eles são despretensiosos, pertencentes à geração “faça você mesmo” e estão dispostos a experimentar ao melhor estilo let it be, sem esperar uma grande gravadora, um patrocínio de peso ou um destino. Nesses moldes, o 1º La Femme qui Roule (LFQR) promete marcar história na capital mineira, ao fazer da falta de espaços para shows uma oportunidade, levando pela primeira vez um festival de música ao Galpão Cine Horto. Entre amanhã e sábado, o espaço teatral vai receber seis artistas independentes com trabalhos autorais. A programação gratuita inclui shows de lançamento dos discos de Leonardo Marques, do Transmissor, e do trio Invisível, além da visita inédita da banda carioca Baleia.

Toda a concepção do festival nasceu da parceria entre o designer belga Yannick Falisse e o músico mineiro Leonardo Marques, que criaram o selo LFQR em 2012 para dar vazão a novos nomes da cena musical local. “Unimos forças para criar um festival que pudesse dar voz a quem está experimentando, trazendo o novo sem medo. Não é um festival de selo, tanto que trazemos gente de fora, queremos essa integração”, avalia Leonardo.

Com patrocínio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, mas feito “na raça”, o LFQR pretende atrair a atenção do público com shows diferenciados. O primeiro deles é a estreia do trio folk Invisível, que liberou ontem as dez faixas do disco “Yours Truly” para audição no SoundCloud. A banda calcada no folk norte-americano, com influências de Bob Dylan e Neil Young a Egberto Gismonti e Radiohead, é composta por André Travassos, vocalista e guitarrista da banda Câmera, acompanhado de Bernardo Zanetti e Lucca Noacco.

Diferente da produção comum de um álbum, “Yours Truly” foi composto em cerca de um mês e meio – e todo o processo de gravação no estúdio Ilha do Corvo durou apenas sete meses. “A banda nasceu para fazer um show só e acabar. Mas em quatro semanas de ensaios surgiram cinco canções. Aí vimos que tínhamos uma afinidade urgente para desaguar musicalmente”, diz André Travassos.

Quem também deve desaguar criatividade no palco é o duo eletrônico Teach me Tiger, formado pelo belga Yannick Flisse e a paulista Chris Martins. “Vai ser nosso primeiro show em festival, e isso faz com que nosso som chegue a outras bocas e ouvidos. É realmente diferente de um show comum”, se anima Yannick. O duo lançou o EP homônimo em 2013, com seis músicas em francês e inglês, e agora prepara o primeiro álbum para este ano, com produção de Leonardo Marques.

Fechando a noite, a elogiada The Junkie Dogs abre espaço para o seu trip-rock barulhento, que parece ressuscitar com modéstia alguma fagulha perdida do rock ‘n’ roll. Formado por Bruno Leal Medeiros (guitarra), Rafael Ludicanti (guitarra e vocal), Marcos Braccini (baixo e backing vocals), Marcos Sarieddine (piano elétrico e sintetizadores) e Flavio Freitas (bateria), o grupo mostra as 13 faixas fresquinhas do primeiro álbum da carreira, homônimo, lançado em dezembro do ano passado.

No sábado, a efervescência indie continua com Leonardo Marques, vocalista do Transmissor, e ex-banda Diesel e Udora. Produtor atuante na cena mineira, o músico vai apresentar pela primeira vez as nove canções de “Curvas, Lados, Linhas Tortas, Sujas e Discretas”, seu segundo álbum solo, gravado integralmente de forma analógica no estúdio Bunker, em Nova Lima. “Uma coisa que fortalece a cena autoral da cidade é ter um festival com entrada franca. O meu trabalho, que foi feito com tanto cuidado, em que gravei todos os instrumentos, poderá ser visto por um público mais acolhido em um formato diferente, dentro de um teatro, sem pagar ingresso”, diz o músico.

Parceira de Leonardo no Transmissor, Jeniffer Souza também mostra seu primeiro álbum solo, “Impossível Breve”, lançado em 2013, mas que recentemente ganhou uma edição japonesa. “É superlegal ver o pessoal se mobilizando. Eu participei de uma coletânea na França há pouco, e o lançamento do meu disco no Japão me deixou bem animada. A cena mineira precisa se amplificar aqui dentro, claro, e tomar o mundo lá fora”, chama a atenção Jennifer.

O último show do LFQR e um dos mais aguardados é o da Baleia, que abusa da diversidade instrumental – incluindo violino, acordeão, sintetizadores e guitarras –, indo de Dorival Caymmi a Radiohead. Vinda do Rio de Janeiro, a banda de seis integrantes inicia em Belo Horizonte uma turnê preparativa para o festival Lollapalloza, o primeiro grande show da carreira do grupo. “Vamos passar por BH, Salvador, Recife, Maceió e João Pessoa. Antes, nossos shows eram muito espaçados. Essa é a primeira espécie de turnê que fazemos, e esse festival (LFQR) caiu como uma luva. Está aí o tipo de iniciativa que precisa acontecer para as bandas conseguirem tocar. Vai ser um grande aquecimento para o Lolla”, diz.

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