Palco de grandes festas, parque está abandonado

Últimas edições da Feira da Paz e do Betim Rural foram realizadas no local em 2011; problema ocorre porque Justiça determinou que barulho não ultrapasse 55 decibéis

iG Minas Gerais | Dayse Resende |

Tristeza. 
Mato e muros pichados mostram situação de abandono
Alex Douglas / O Tempo
Tristeza. Mato e muros pichados mostram situação de abandono

Banheiros sujos, pichações, mato, vidros e pias quebradas, portões destruídos, bares com vazamentos de água e até embalagens de camisinha. Essa é a situação atual do Parque de Exposições David Gonçalves Lara, no Angola. Moradores da região também reclamam de que o espaço está atraindo usuários de drogas.

Inaugurado em 1992, o local, que antigamente servia para abrigar festas tradicionais do município, como a Feira da Paz e o Betim Rural, atualmente recebe apenas a final do Betiquim – festival gastronômico da cidade –, além de eventos menores, como leilões de automóveis.   Essa situação ocorre porque, desde 2011, o parque está impossibilitado pela Justiça de receber festas em que o barulho ultrapasse o limite de decibéis estabelecido pela legislação ambiental – 55 decibéis.    “É lamentável a gente ver um local como esse, que já recebeu grandes festas, abandonado dessa maneira. A população é a que mais perde com tudo isso. Além disso, o município também acaba tendo gastos desnecessários. A manutenção do espaço custa caro aos cofres públicos. As luzes, por exemplo, ficam acesas diariamente em vão”, conta a dona de casa Ivanir da Cunha, 59.   O aposentado Gerson Oliveira, 68, também reclama do abandono do espaço. Ele conta que, diariamente, vai ao local para caminhar e que é comum encontrar casais usando os bares para praticar sexo. “A situação só não está pior porque a prefeitura fechou alguns banheiros. Mas é comum encontrar roupas íntimas e embalagens de camisinhas espalhadas pelo parque. A situação chega a ser absurda”.   Já a estudante Cinara Dantas, 34, lembra com saudade da época em que ela ia ao parque participar das feiras agropecuárias. “Eu e minhas amigas contávamos os dias para a realização desses eventos. Era uma oportunidade que as pessoas tinham para se encontrar e se divertir muito”.   Recorrente A situação de abandono do parque de exposições vem sendo denunciada há anos pelos moradores de Betim. No início de 2013, a reportagem de O Tempo Betim já havia flagrado uma série de móveis, equipamentos e papéis da área da saúde em completo estado de abandono em espaços onde ficam as baias. Na época, a prefeitura informou que um espaço seria alugado no município para que os documentos encontrados fossem arquivados.   Já no ano passado, pais de alunos do curso de taekwondo que era realizado nas dependências do parque também se queixaram de que os banheiros estavam sujos e sem água. Por causa da situação, as aulas foram transferidas pela Secretaria Municipal de Esportes para o Ginásio Poliesportivo Divino Ferreira Braga.    Ainda no ano passado, o prefeito interino Waldir Teixeira (PV) chegou a estudar a possibilidade de repassar o parque de exposições para o Instituto de Prividência do Município de Betim (Impremb) como forma de debater a dívida da prefeitura com o instituto, mas, após Carlaile Pedrosa reassumir o cargo, a proposta foi engavetada.   Resposta A prefeitura informou que, atualmente, o parque possui apenas um banheiro aberto para uso dos visitantes e que o mesmo está em ótimas condições. O Executivo ressaltou, ainda, que, em decorrência do racionamento de água, a limpeza do parque está sendo realizada, sempre que necessário, com varrição e catação dos resíduos. “A manutenção é realizada conforme as demandas”, completou. Sobre a segurança do local, a prefeitura informou que ela é feita pelas guardas municipal e patrimonial e que a entrada de visitantes é controlada pela administração do parque. “Apenas programas e ações ligados diretamente à prefeitura são realizados no espaço”.

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