Governo cede e faz mea-culpa

Presidente Dilma Rousseff afirma que trata ajuste e correções da economia “como dona de casa”

iG Minas Gerais |

Agenda. Entrega de moradias do Mina Casa, Minha Vida, na Bahia, foi a primeira de uma série de viagens que a presidente Dilma fará
Roberto Stuckert Filho/PR.
Agenda. Entrega de moradias do Mina Casa, Minha Vida, na Bahia, foi a primeira de uma série de viagens que a presidente Dilma fará

Brasília. O ministro petista Pepe Vargas (Relações Institucionais) afirmou ontem que o governo tem de fazer um mea-culpa sobre a maneira como trata o PMDB, e que os resultados positivos das gestões Lula e Dilma devem ser atribuídos não apenas ao PT, mas a toda a base aliada. O afago ao partido ocorre um dia depois de o vice-presidente, Michel Temer, que é peemedebista, avisar à presidente Dilma que, se a sigla não tiver mais espaço, sairá da base de apoio governista.

“Acho que a gente tem que, eventualmente, até poder fazer um mea-culpa, se o PMDB está se sentido efetivamente assim, e tomar as medidas para que ele possa se sentir mais integrado na definição dessas questões. Encaramos isso com a mais absoluta normalidade e como uma tentativa do PMDB contribuir mais ainda”, disse Vargas, um dos principais responsáveis justamente pela negociação política no governo.

A presidente Dilma Rousseff, ao explicar a ação do governo, em evento do Minha Casa Minha Vida, disse ontem, que promove “algumas correções, como uma mãe, como uma dona de casa” faz com o orçamento doméstico. “Precisamos fazer ajustes, e faço ajuste no meu governo como a dona de casa faz na casa dela”, disse. Dilma defendeu a necessidade dos ajustes, que, segundo ela, são feitos para melhorar e focar os programas sociais, “garantindo oportunidades”. “Essas correções dizem respeito ao fato de que, para o Brasil, é muito importante focar os programas sociais. Fazer com que se beneficie só quem precisa deles”, disse a presidente, que garantiu que a mudança de rota não paralisará os programas sociais do governo.

Ameaça. O ministro Pepe Vargas disse que o aviso em tom de ultimato, dado pelo PMDB, é absolutamente legítimo e normal. “Ele quer dizer o quê? Nós estamos nesse governo, fazemos parte desse governo e queremos partilhar mais, participar mais e contribuir mais na tomada de decisões do governo. Isso é muito positivo”.

Vargas lembrou que é importante dizer que “os resultados que a gente tem nesses últimos anos, com a menor taxa de desemprego que a gente teve na história, com a valorização do salário mínimo, com a inclusão econômica e social como há décadas o Brasil não valorizava, isso não é produto só do Partido dos Trabalhadores. Isso se deve à coalização que a gente teve ao longo desses anos, ao PMDB, ao PDT, ao PCdoB, ao PTB, ao PR, ao PRB, a todos os partidos que estão na nossa base. É uma conquista de todos nós”, ressaltou, tentando aplacar os ânimos mais exaltados do PMDB.

Popularidade

Estratégia. As viagens da presidente Dilma pelo Brasil são parte de uma estratégia para a retomada de sua popularidade.

Positivo. A entrega de 920 casas do Minha Casa, Minha Vida é o primeiro ato da campanha positiva que o Palácio do Planalto tenta implantar para recuperar a popularidade de Dilma.

Agenda. Além da visita à Bahia, Dilma já tem marcada uma viagem ao Rio de Janeiro no domingo, 1º de março, onde participa de comemorações pelos 450 anos da cidade.

Compromisso. A presidente reafirmou ontem que só tem compromisso com o povo pobre desse país.

Impeachment

Lista. O jornal britânico “Financial Times” lista dez razões para se acreditar no impeachment de Dilma, entre eles, a falta de apoio no Congresso, o escândalo da Petrobras e até a falta de água.

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