Brasil pode ter a nota rebaixada

Dilma Rousseff diz que agência “desconhece” situação da estatal e fala em recuperação

iG Minas Gerais |

Preocupado. Eduardo Braga quer fazer o ajuste fiscal para evitar o rebaixamento da nota do Brasil
Elza Fiúza/Agência Brasil
Preocupado. Eduardo Braga quer fazer o ajuste fiscal para evitar o rebaixamento da nota do Brasil

SÃO PAULO. O rebaixamento da nota de crédito da Petrobras pela agência Moody’s aumenta ainda mais a expectativa de que a nota do Brasil também possa ser rebaixada. Segundo analistas, além da frágil situação fiscal do país, as projeções de crescimento podem ser afetadas pela atual situação da estatal, maior empresa brasileira e que costuma liderar os investimentos.

Não há uma relação direta entre a nota da estatal e a do país, mas a Petrobras é a maior empresa do Brasil, e grande parte do investimento do país passa por ela. “Com menor capacidade de captação e custos maiores, a Petrobras vai reduzir os projetos, e isso vai afetar o nível de investimento do Brasil e as projeções de crescimento”, avalia Marco Aurélio Barbosa, analista da CM Capital Markets.

Para os analistas do Bank of America Merril Lynch, o rebaixamento da Petrobras eleva o risco de rebaixamento da nota do Brasil. “Dada a importância da Petrobras para a economia brasileira, nós acreditamos que o risco de um rebaixamento da nota soberana pela Moody’s parece mais provável, mas com o Brasil ainda mantendo o grau de investimento”, afirmaram, em relatório, Anne Milne, David Beker e Juan Andres Dukevic.

A nota da Petrobras foi rebaixada anteontem pela Moody’s em dois níveis, de Baa3 para Ba2, saindo do grau de investimento para o chamado grau especulativo. A nota do Brasil também é de Baa2, com perspectiva negativa. Já na Fitch, a nota é de BBB, também dois graus acima do nível de especulação. Já na Standard & Poor’s, a nota dada ao Brasil é de BBB-.

Um dos fatores que as agências de classificação de risco olham na hora de determinar se um país merece ser grau de investimento, atraindo assim mais recursos para o país, é a relação entre dívida e Produto Interno Bruto (PIB). O menor crescimento da atividade econômica e as contas públicas deterioradas, com as despesas crescendo mais que as receitas, pioram essa situação. A relação entre dívida bruta e PIB do Brasil era de 63,4% em dezembro do ano passado, acima dos 56,7% registrados 12 meses antes.

Governo. No Planalto, as avaliações foram diferentes. Enquanto o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, demonstrou preocupação, a presidente Dilma Rousseff disse que a Moody’s desconhece o que está acontecendo na empresa.

“É um alerta para todos. Inclusive governo e Congresso Nacional, de que a questão fiscal não só é necessária, mais prioritária para que o Brasil possa afastar definitivamente o risco-país. Precisamos ficar bastante atentos”, avaliou Braga.

“Foi uma falta de conhecimento direito do que está acontecendo na Petrobras. Não tenho dúvida de que a Petrobras vai ser uma empresa com grande capacidade de recuperar isso”, disse Dilma. “O governo sempre vai tentar eliminar o rebaixamento. Só lamentamos que não tenha tido correspondência por parte da agência”, completou a presidente.

Temor. O alemão Deutsche Bank já espera que outras grandes agências de avaliação de risco sigam a Moody’s e também rebaixem a nota da estatal, piorando ainda mais a avaliação de risco.

Para o suíço UBS, o rebaixamento para grau especulativo fará com que o custo de novas emissões de dívida da Petrobras aumente em 2 pontos percentuais.

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