Chanceler da Líbia diz que país pode se tornar nova Síria

Rica em petróleo, a Líbia é hoje dirigida por dois parlamentos rivais, um próximo das milícias islâmicas que controlam a capital, Trípoli, e outro reconhecido pela comunidade internacional e instalado em Tobruk

iG Minas Gerais | Folhapress |

A Líbia ameaça se tornar uma nova Síria, devido à crescente implantação de grupos islâmicos radicais, considerou hoje (25) o ministro dos Negócios Estrangeiros líbio, Mohamed Dayri, que também defendeu o armamento, pelo Ocidente, das forças líbias que combatem os “jihadistas”.

“O tempo urge”, disse em entrevista à agência de notícias francesa AFP, e no decurso de uma breve visita, na noite de terça-feira (24), a Paris. “O terrorismo não constitui apenas um perigo para a Líbia e países vizinhos, trata-se de uma ameaça que se intensifica contra a Europa”, disse.

“Na ausência de uma solução política, o país pode ser conduzido para uma verdadeira guerra civil, como na Síria”, advertiu o ministro, cujo país, confrontado com diversas milícias rivais, mergulhou no caos.

Rica em petróleo, a Líbia é hoje dirigida por dois parlamentos rivais, um próximo das milícias islâmicas que controlam a capital, Trípoli, e outro reconhecido pela comunidade internacional e instalado em Tobruk (Leste).

O ministro, que integra o Executivo de Tobruk, sublinhou que o grupo Estado Islâmico (EI) já controlava duas cidades (Drena, no Leste; e Syrte, no Centro), “possui reféns” e está presente em Trípoli, onde em janeiro efetuou atentado contra um hotel que acolhia responsáveis locais e estrangeiros.

O ministro estimou que cerca de 5 mil “jihadistas” estão em território líbio e, assim como na Síria, muitos dos que ocupam postos de comando são estrangeiros. Assim, o autoproclamado “emir” da Cirenaica, cuja capital é Derna, é iemenita; o de Trípoli é tunisino, e dois dos três homens-bomba que fizeram o último ataque, no Leste do país, seriam sauditas, precisou o ministro.

Dayri ressaltou que seu governo não pede “uma nova intervenção internacional ocidental”, ao contrário da que contribuiu para terminar com o regime de Muammar Kadhafi, em outubro de 2011, que então foi executado, mas pede “reforço das capacidades do Exército líbio”.

Na semana passada, o ministro do governo líbio reconhecido internacionalmente, já havia apelado no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para uma suspensão do embargo ao armamento destinado à Líbia, imposto desde 2011. Membros do conselho, incluindo a Rússia, mantêm reservas sobre o fim do embargo, pelo risco de o armamento poder cair em “mãos erradas”.

A comunidade internacional defende, no momento, uma “solução política” na Líbia, e inquieta-se pelo reforço da presença “jihadista” e pelo fluxo de imigração clandestina, em particular com destino à Itália.

“Antes de ser um pedido internacional, a formação de um governo de união nacional é uma prioridade líbia”, assegurou. “Mas não começaremos a formar já amanhã um tal governo. Precisamos de ajuda para o Exército líbio, mas não encontrei qualquer resposta convincente nos Estados Unidos ou na Europa, apenas garantias de que haveria uma ação internacional e não uma intervenção”, acrescentou.

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