Ministério Público denuncia presidente da Assembleia do RN

Ferreira, segundo o delator, pediu inicialmente R$ 500 mil para que um projeto fosse aprovado na Assembleia

iG Minas Gerais | Folhapress |

O Ministério Público do Rio Grande do Norte denunciou o deputado estadual Ezequiel Ferreira (PMDB), presidente da Assembleia Legislativa do Estado, sob a suspeita de ter recebido R$ 300 mil para aprovar um projeto na Casa.

O parlamentar, que não se manifestou sobre o assunto à reportagem, negou as acusações nesta terça-feira (24) em discurso no plenário.

O empresário George Olímpio, delator de um esquema de pagamento de propinas a políticos do RN, disse à Promotoria que, em 2009, procurou Ferreira pedindo que ele agilizasse a tramitação de uma lei que criava uma inspeção veicular da qual seria beneficiado.

Em reportagem da TV Globo, o delator citou ainda o nome do senador José Agripino Maia (DEM) como beneficiários do esquema -eles negam.

Na denúncia feita pelo Ministério Público, o nome de Agripino não é citado, mas a investigação da Procuradoria não foi concluída.

Ferreira, segundo o delator, pediu inicialmente R$ 500 mil para que o projeto fosse aprovado na Assembleia. Ele não presidia a Casa na época, mas prometeu falar com o então presidente e atual governador do Estado, Robinson Faria, hoje no PSD.

Ainda de acordo com o depoimento de Olímpio, o valor foi negociado e baixou para R$ 300 mil. Tanto o pedido de propina quanto o pagamento de uma das parcelas foram feitos na própria Assembleia, no gabinete de Ferreira.

Outros valores teriam sido entregues no escritório de Olímpio e no apartamento do parlamentar. Os pagamentos, em dezembro de 2009 e março de 2010, coincidem com a aprovação da lei que regulamentou a inspeção e com o lançamento da concorrência para contratar a empresa que operaria o programa.

Na denúncia, o Ministério Público pede que Ferreira seja condenado por corrupção passiva e perca o mandato de deputado estadual.

O parlamentar fez um discurso nesta terça-feira para rebater as acusações. Ele negou ter recebido propina e disse que os pedidos de celeridade na tramitação de projetos são comuns na Casa.

Ele confirmou que Olímpio o procurou para tratar da inspeção veicular, mas afirmou que só sugeriu a dispensa de "formalidades" para encaminhar a matéria para votação em plenário depois que o Ministério Público pediu urgência na tramitação.

"Só as mentes que creem no fantástico podem supor que para isso um deputado, e só um entre 23, (...) tivesse recebido R$ 300 mil. Para quê? Só para cumprir a rotina, rotina de que a Assembleia não costuma se afastar? É mesmo fantástico", disse.

Foi uma ironia dirigida ao programa "Fantástico", da Globo, que revelou o caso no último domingo.

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