Rivais na Libertadores, uruguaios marcaram história no São Paulo

Darío Pereyra, Pedro Rocha e Diego Lugano conquistaram grandes títulos com o time Tricolor

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

O conselheiro do São Paulo Marco Aurélio Cunha tem uma história curiosa que resume a relação do São Paulo com o futebol uruguaio. Em 2003, então superintendente do clube, ele decidiu marcar um jantar reunindo Darío Pereyra, Pedro Rocha e Diego Lugano. O motivo foi nobre.

Lugano era reserva e estava chateado no clube. Ao reunir o zagueiro com dois símbolos são-paulinos, como Pereyra e Rocha, Cunha esperava dar o empurrão que faltava.

"Eu disse para o Lugano: você será marcante como eles foram para o São Paulo", conta sempre que é questionado sobre a história.

O que aconteceu depois disso é conhecido. Lugano virou titular, conquistou Libertadores e Mundial e entrou para a galeria de ídolos do São Paulo.

O zagueiro é um exemplo de sucesso entre os uruguaios são-paulinos.

Veja histórias dos ídolos que vieram do país do rival desta quarta-feira (25) na Libertadores, o Danubio:

Pedro Rocha, um maestro

Se a diretoria levasse a sério o começo nada empolgante de Pedro Rocha pelo São Paulo, em 1970, a torcida tricolor teria perdido um dos jogadores mais espetaculares da história do clube. Mas valeu o voto de confiança no meia, campeão de tudo com o Peñarol, para vê-lo brilhar no Morumbi.

Pedro Rocha chegou ao São Paulo logo após o clube ter encerrado o jejum de títulos. A falta de sequência no time logo no início foi creditada há uma susposta perseguição de Gerson.

Passou a ter papel de destaque a partir de 1972, já após a saída de Gerson, quando dividiu a artilharia do Campeonato Brasileiro com Dario, do Atlético-MG, ambos com 17 gols. Também neste ano levou o São Paulo a semifinal da Copa Libertadores. Dois anos depois ajudou a colocar o time na final -a taça foi perdida para o Independiente após três jogos.

Até 1977 tinha no currículo dois títulos do Paulista (1971 e 1975), dois vices do Campeonato Brasileiro (1971 e 1973) e um da Copa Libertadores.

Em 1977, ano do primeiro título nacional do São Paulo, vivia relação desgastada com o técnico Rubens Minelli. Foi campeão do Brasileiro, mas depois deixou o clube já desgastado, mas com a passagem eternizada.

Forlán, a fome por títulos

O esforçado e aguerrido lateral direito Pablo Forlán chegou ao São Paulo em 1970, quando tinha apenas 24 anos e trazia no currículo quatro títulos nacionais pelo Peñarol, uma Copa Libertadores e um Mundial Interclubes.

Acostumado a vencer títulos, encontrou um São Paulo acostumado a não ganhar nenhum. Desde o Campeonato Paulista-1957, o clube tricolor não sabia mais o que era ser campeão.

Um dos motivos foi o esforço financeiro da equipe para construir o estádio do Morumbi. O outro foi a força dos rivais como Santos, que tinha Pelé, e o Palmeiras, de Ademir da Guia, verdadeiros papa-títulos nos anos 1960.

Forlán chegou e fez duas promessas que mexeram com o são-paulinos. Escolheu o Palmeiras como rival a ser odiado -assim como dizia ter feito com o Nacional na época em que defendia o Peñarol- e prometeu uma taça.

A raça do uruguaio mexeu com a torcida. Os adversários, por outro lado, sofriam com as entradas do lateral direito, que era taxado como um jogador violento.

Símbolo de entrega, ele ajudou o São Paulo a vencer o Campeonato Paulista-1970 e encerrar o jejum de títulos.

Com o São Paulo venceu outros dois Estaduais, em 1971 e 1975. Chegou a ser convocado para a Copa do Mundo-1974, a última da sua carreira.

Nos anos 1990 foi técnico do São Paulo, antecedendo Telê Santana, mas não repetiu o sucesso. A idolatria a Forlán foi resgatada em 2010 quando o ex-jogador disse à ESPN que gostaria de ver o filho, o atacante Diego Forlán, vestindo a camisa do São Paulo. Naquele ano, o jogador do Atlético de Madri havia sido o melhor da Copa do Mundo.

Darío Pereyra, sofredor

O uruguaio chegou ao São Paulo em 1977 após se destacar como meia no Nacional, mas esperou três anos para conseguir mostrar porque o investimento valeu a pena.

Após sofrer com inúmeras contusões, falta de sequência na equipe tricolor e até ser questionado, Darío Pereyra conseguiu se firmar ao ser escalado pelo técnico Carlos Alberto Silva como zagueiro.

Foi a senha para o jogador agarrar a oportunidade e não sair mais do time. Formou dupla com Oscar e, no total, ficou 11 anos na equipe tricolor. Foram quatro títulos do Campeonato Paulista (1980, 1981, 1985 e 1987) e dois do Campeonato Brasileiro (1977 e 1986).

Lugano, o líder da América

O zagueiro Diego Lugano chegou ao São Paulo em 2003 com pouco destaque e trazendo na bagagem o peso de ter o rótulo de "homem do presidente", uma vez o mandatário Marcelo Portugal Gouvêa bancou a vinda do uruguaio.

A vaga no time titular demorou para ser conquistada, mas já ao final de 2003 foi um dos destaques do São Paulo na campanha da Copa Sul-Americana -o time foi eliminado na semifinal para o River Plate, no Morumbi.

A torcida se identificou bastante com o defensor ao conhecer melhor o estilo de jogo de Lugano. Jamais fugia de divididas, colocava a raça acima da habilidade e tinha como hábito não trocar de camisa com os adversários.

O estilo viril do zagueiro fez com que o nome dele fosse exaltado em momentos que a torcida queria ver mais garra do time dentro de campo.

A melhor temporada de Lugano ocorreu em 2005. Apesar de não usar a faixa de capitão, teve voz ativa como líder do grupo e foi peça fundamental na conquista do Paulista, da Libertadores e do Mundial de Clubes, no Japão.

Em 2006, após o vice da Libertadores, deixou o São Paulo rumo ao Fenerbahce, da Turquia. Como disputou 11 jogos do Campeonato Brasileiro-2006, recebeu a medalha como campeão daquele torneio.

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