Fifa admite problemas nas condições de trabalho nas obras da Copa 2022

Apesar dos gargalos, o emirado começou a alcançar o nível das normas internacionais e isto "é um grande avanço"

iG Minas Gerais | AFP |

Jerome Valcke, Secretary General of FIFA is seen during an inspection tour of Arena de Sao Paulo stadium, in Sao Paulo, Brazil, Monday, Jan. 20, 2014. Members of FIFA and the 2014 WCup Local Organizing Committee started an inspection tour of stadiums in host cities across Brazil. (AP Photo/Nelson Antoine)
Associated Press
Jerome Valcke, Secretary General of FIFA is seen during an inspection tour of Arena de Sao Paulo stadium, in Sao Paulo, Brazil, Monday, Jan. 20, 2014. Members of FIFA and the 2014 WCup Local Organizing Committee started an inspection tour of stadiums in host cities across Brazil. (AP Photo/Nelson Antoine)

O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, admitiu nesta quarta-feira em Doha que existem problemas nas condições de trabalho das obras da Copa do Mundo do Catar 2022, mas ao mesmo tempo se mostrou "feliz" pelas melhorias introduzidas.

"Está claro que há problemas e questões a resolver sobre as obras no Catar", disse o número 2 da Fifa.

Valcke, no entanto, afirmou que o emirado começou a alcançar o nível das normas internacionais e isto "é um grande avanço".

Ele afirmou ter visitado na terça-feira vários estádios da futura Copa do Mundo e citou em particular as inspeções nos alojamentos dos operários. Valcke se mostrou "contente em geral" com o que viu.

Segundo o dirigente, as mudanças que o Catar está fazendo são motivadas pelo "poder da Copa do Mundo".

Em setembro de 2013, o jornal britânico The Guardian publicou uma reportagem sobre as obras no Catar e mencionou a "exploração" e o abuso das condições de trabalho, comparadas a uma "forma de escravidão moderna".

Segundo os números do jornal, entre junho e agosto de 2013, 44 operários nepaleses morreram nas obras no emirado. A este ritmo, pelo menos 4.000 trabalhadores poderiam morrer até a Copa do Mundo de Mundo de 2022, denunciou a Confederação Internacional de Sindicatos (ITUC).

Em janeiro de 2014, a Fifa exigiu do Catar a adoção de medidas concretas. Em resposta, em maio, o emirado prometeu abolir a 'kafala' - o sistema local que transforma os trabalhadores praticamente em propriedade dos empresários - e substituir por um "sistema de contratos de trabalho".

No início de fevereiro, o Catar anunciou que introduziria um sistema de pagamento de salários para que os trabalhadores recebessem uma vez ao mês. A medida era exigida por organizações de defesa dos direitos humanos como Anistia Internacional ou Human Rights Watch.

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