Em ato pró-Petrobras, Lula diz que Dilma tem de levantar a cabeça

Ex-presidente defendeu reforma política e financiamento público de campanhas em protesto a favor da estatal, alvo de esquema de corrupção

iG Minas Gerais | Folhapress |

RJ - PROTESTO/PETROBRAS/FUP  - ECONOMIA - Protesto na FUP  (Federação Única dos Petroleiros), em conjunto com as centrais sindicais, em defesa     do pré-sal e da Petrobras, na tarde desta terça-feira (15), na sede da Associação Brasileira de     Imprensa (ABI), no centro do Rio de Janeiro. O evento reuniu ainda  sindicalistas, advogados,     jornalistas e intelectuais. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva era esperado no evento.     24/02/2015 - Foto: PAULO CAMPOS/ESTADÃO CONTEÚDO
ESTADÃO CONTEÚDO
RJ - PROTESTO/PETROBRAS/FUP - ECONOMIA - Protesto na FUP (Federação Única dos Petroleiros), em conjunto com as centrais sindicais, em defesa do pré-sal e da Petrobras, na tarde desta terça-feira (15), na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no centro do Rio de Janeiro. O evento reuniu ainda sindicalistas, advogados, jornalistas e intelectuais. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva era esperado no evento. 24/02/2015 - Foto: PAULO CAMPOS/ESTADÃO CONTEÚDO

Em ato convocado em defesa da Petrobras no Rio, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que sua sucessora, Dilma Rousseff, "tem de levantar a cabeça e dizer: Eu ganhei as eleições". Para Lula, "não se pode criminalizar a política". O líder do PT disse que "a elite não se conforma com a ascensão social dos mais pobres" e que "não se pode jogar a Petrobras fora por causa de meia dúzia de pessoas".

Lula disse que a Petrobras não é uma questão da "Dilma, mas da Polícia Federal ou da Justiça". Lula criticou ainda a imprensa. "Eu cheguei à Presidência duas vezes sem ela [a imprensa]. O papel da imprensa é apenas informar", disse. O ato reuniu políticos, artistas, escritores, jornalistas na sede da ABI (Associação Brasileira de Imprensa) na noite desta terça (24).

Segundo Lula, a oposição está "desaforada". "Não podemos ter vergonha. Temos de ir para as ruas." O ex-presidente citou ainda casos nos quais as tentativas de "criminalizar a política" resultaram em golpes, como no Egito, na Líbia, na Síria e no Iraque. "É tanta a violência que o povo deve ter saudades do Saddam [Hussein, ex-ditador do Iraque]".

Lula defendeu ainda a reforma política e o financiamento público das campanhas. "O financiamento de empresa privada deveria ser crime inafiançável." O tom das falas anteriores à do ex-presidente foi a de desqualificar as investigações da Operação Lava Jato e a atuação da Justiça.

"Punam-se os culpados, mas deixemos a Petrobras em paz", disse Luiz Pinguelli Rosa, físico e diretor da Coppe-UFRJ (Centro de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro).

O diretor da OAB-RJ, Wadih Damus, disse que delação premiada usa a estratégia "do medo e da intimidação" para obter depoimentos, comparando o instrumento à tortura. Ele criticou ainda a ação do juiz Sergio Moro e dos promotores do caso. "O que vemos é a instituição da presunção de culpa e o recurso penal do espetáculo."

Antes do início do ato em defesa da Petrobras, foram registradas brigas e tumultos entre manifestantes da CUT e do PT e um grupo de pessoas que passavam pelo local, com bandeiras do Brasil e que pediam a saída da presidente Dilma. Pessoas que apenas transitavam pelo local, numa movimentada rua do centro do Rio, também trocaram acusações com os manifestantes da CUT e do PT.

Numa das brigas, houve troca de socos. A Tropa de Choque da PM foi chamada e interveio para separar os cerca de 300 manifestantes petistas de um pequeno grupo de 15 manifestantes antigoverno. Os tumultos foram contidos e não houve registro de feridos graves nem de detenções.

Na plateia do auditório da ABI, estavam ainda o cineasta Luiz Carlos Barreto e sua mulher e produtora Lucy, além do físico Pinguelli Rosa, do vice-presidente regional do PT, Alberto Cantalice, e do ex-ministro da Ciência e Tecnologia Roberto Amaral (PSB).

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