Para Renan, coalizão é capenga

Apesar de confirmar apoio, presidente do Senado quer que PMDB participe mais das decisões

iG Minas Gerais |

Decisões. 
Renan Calheiros não poupou o governo, ressaltando que quer mais espaço para o PMDB
Jonas Pereira
Decisões. Renan Calheiros não poupou o governo, ressaltando que quer mais espaço para o PMDB

Brasília. Horas depois de a cúpula do PMDB confirmar apoio ao governo nas votações importantes sobre o ajuste fiscal no Congresso nos próximos dias, em jantar realizado na noite de segunda-feira, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse nesta terça que a coalizão do governo Dilma Rousseff é “capenga”. Ele reclamou da hegemonia do PT, afirmando que um partido apenas não pode ser hegemônico, e que o PMDB não pode ser chamado apenas nas horas difíceis, de aprovar o ajuste fiscal.

O senador confirmou ainda que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, avisou que o corte nas despesas orçamentárias será de R$ 80 bilhões. “Essa coalizão é capenga, porque o PMDB, que é o maior partido, do ponto de vista da coalizão não cumpre o seu papel. Você não pode ter um governo de um partido hegemônico, ter um partido que é o maior partido do Congresso Nacional como parte da coalizão sem que ele tenha papel na definição das políticas públicas. Então é preciso aprofundar o ajuste, o setor público tem que pagar também uma parte da conta. Não dá para transferir essa conta para a sociedade”, disse Renan Calheiros.

O presidente do Senado deixou claro que o PMDB quer espaço nas decisões de governo. “O PMDB quer dar um fundamento à coalizão, quer participar da definição das políticas públicas. Espaço o PMDB tem demais (na política), mas não é isso que aprimora, que dá fundamento à coalizão. O que dá fundamento à coalizão é você ter começo, meio e fim para o ajuste, para a produtividade, para antever as etapas. Eu acho que o papel do PMDB nessa hora é sobretudo formatar isso”, disse.

Ele acrescentou: “Temos buracos em vários setores e é importante aproveitar a circunstância, a oportunidade e a dificuldade para construirmos um melhor modelo de coalizão política para o governo. O PMDB, que é o maior partido, precisa cumprir um papel importante, insubstituível na coalizão e não apenas ser chamado nessas horas para fazer ajustes que não tem nem começo, nem meio e nem fim.”

Renan disse que a reunião com o ministro Levy, foi “muito boa e qualitativa” e que de discutiu o aprofundamento do ajuste. Para ele, tem que cortar no setor público e não apenas a sociedade pagar a conta. Ele afirmou que, além do corte de R$ 80 bilhões, há o problema dos chamados restos a pagar de anos anteriores, num valor de R$ 240 bilhões. São despesas que ainda não foram pagas de anos anteriores e que incluem emendas parlamentares. “O ajuste tem que cortar no setor público, a sociedade não entenderá se só a população mais pobre pagar a conta do ajuste”.

Crítica

Carimbo. O relator do Orçamento 2015, senador Romero Jucá, disse que “o PMDB não será o carimbador do processo. O PMDB não quer ser passageiro e sim tripulante”.

Orçamento O relator do projeto de lei do Orçamento para 2015, senador Romero Jucá (PMDB-RR), afirmou que a votação do seu parecer deve acontecer apenas na próxima semana para que os novos parlamentares tenham mais tempo para apresentar as emendas para serem executadas neste ano. O prazo inicial para a apresentação das emendas expirou às 20h desta terça. Agora, os deputados e senadores poderão apresentar as indicações até a sexta-feira, e elas serão incluídas no parecer final.

Governo vai conversar com as siglas Brasília. O ministro Pepe Vargas afirmou que o governo vai fazer reuniões com bancadas ou blocos partidários sobre o ajuste. “Amanhã (nesta quarta) mesmo temos uma primeira reunião com bloco partidário no Senado incluindo PT, PDT e PCdoB para que haja um nivelamento de informações para que os senadores e deputados possam ter conhecimento mais aprofundado da matéria e, inclusive, dialogarem sobre como eles vêm essas questões, além de eventuais propostas”, disse.  

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