O mundo não é feito só de dramas

Enquanto “Jane, The Virgin” coleciona prêmios, “A to Z” tenta se salvar

iG Minas Gerais | Isis Mota |

Sereia latina. A novata Gina Rodriguez ganhou o Globo de Ouro de melhor atriz em comédia com “Jane The Virgin”
CW/Divulgação
Sereia latina. A novata Gina Rodriguez ganhou o Globo de Ouro de melhor atriz em comédia com “Jane The Virgin”

Num universo de muitos dramas, tramas policiais e aventuras, duas novas comédias têm dado o que falar. A primeira, “Jane The Virgin”, venceu o People’s Choice Award como melhor série cômica. E a outra, “A to Z”, que estreia hoje às 20h no Warner, luta para conseguir chegar à segunda temporada.

“Jane The Virgin” segue os passos de “Ugly Betty”, que revelou America Ferrera no papel da feiosa e inocente Betty, o patinho feio encarnado, com direito a final feliz. “Betty” bebeu na fonte do sucesso da novela colombiana “Yo Soy Betty, La Fea” e conseguiu transformar o ridículo num programa doce e divertido. “Jane” é uma adaptação da telenovela venezuelana “Juana La Virgen”, criada por Perla Farías – que também assina a versão norte-americana –, com Jennie Snyder. As duas séries parecem ter a mesma varinha de condão que transforma o brega em kitsch, aquele conceito, produto ou objeto que transpassa a linha sutil entre o vulgar e o artístico.

Novelão. Jane Gloriana Villanueva, aos 10 anos, já ouve sermão da avó sobre não perder a virgindade antes do casamento, “porque disso você não tem como voltar atrás”. Treze anos depois, ela é bonita, inteligente, namora, estuda, trabalha… E continua virgem. Só que, mais do que azarada, a jovem Jane (Gina Rodriguez) é praticamente amaldiçoada: em seu trabalho como bartender, é sorteada para vestir uma ridícula roupa de sereia e ficar deitada na piscina, enchendo taças de champanhe bem diante do galã.

É nesse nível de falta de sorte que ela segue a vida, até que uma ginecologista troca as pacientes, e faz nela a inseminação artificial programada para outra. Depois de tantos anos fechando as pernas para os rapazes, Jane ainda está virgem, mas grávida. Da imaculada concepção para frente, a coisa toda se torna rocambolesca – e bem divertida.

A novata Gina Rodriguez, 30, pode ter vencido o Globo de Ouro de melhor atriz de comédia por mérito próprio. Mas a série vem com toda uma parafernália narrativa que a torna especial. A voz de um narrador situa o espectador no tempo e no espaço, e ainda faz “metabrincadeiras” ao dizer, por exemplo, que a vida de Jane agora é coisa de novela. Quando um personagem novo aparece, a cena é congelada e aparece um gerador de caracteres com expressões bem definidoras das suas personalidades: “Petra, devoradora de homens”; “Dra. Luisa Alver, casada* (só em alguns Estados)… Traída”. Todas as conversas por mensagem no celular aparecem também na tela do espectador, tornando cada um de nós um voyeur do whatsapp alheio.

Não vai chegar ao Z. A série que o brasileiro vai poder ver a partir de hoje é “A to Z”, da NBC, a clássica comédia romântica. Andrew (Ben Feldman, de “Mad Men”) é funcionário de um serviço de encontros pela internet e acredita no amor eterno. Zelda (Cristin Milioti, de “How I Met Your Mother”), é uma advogada pé no chão. Apesar das diferenças, os dois se envolvem – segundo a sinopse – por oito meses, três semanas, cinco dias e uma hora. O programa conta essa história de A a Z, cada capítulo correspondendo a uma letra do abecedário.

Mas parece que parou no M. O canal NBC não encomendou novos episódios além dos 13 originais – o último foi ao ar nos Estados Unidos um mês atrás. A produtora Rashida Jones criou a hastag #SaveAtoZ e, desde novembro do ano passado, vem buscando apoio público à série nas redes sociais.

Já existe até petição no site Change.Org, mas, até ontem, tinha apenas seis assinaturas. O cancelamento não foi oficializado, mas para quem sabe ler, pingo é letra.

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