O conhecido e o raro de Carlos Drummond de Andrade

Projeto “O Autor na Academia” traz recital de Antônio Carlos Secchin na Academia Mineira de Letras

iG Minas Gerais | Joyce Athiê |

Antônio Carlos Secchin declama Drummond hoje em BH
Antônio carlos secchin/arquivo pessoal
Antônio Carlos Secchin declama Drummond hoje em BH

Foi Antonio Carlos Secchin, membro da Academia Brasileira de Letras, quem trouxe à tona o original desaparecido de “25 Poemas da Triste Alegria”, de Carlos Drummond de Andrade. A obra lançada em 2009 apresentou poemas escritos na década de 1920, sendo quase metade nunca publicada em periódicos. Na época, Drummond pediu a Dolores Dutra de Morais, sua namorada e futura esposa, que datilografasse cada um dos manuscritos. Os originais, que normalmente eram destruídos pelo escritor, foram preservados, embora tivessem ficado desaparecidos por anos.

A publicação recebeu apresentação do próprio crítico e ensaísta carioca, que, após a revelação, segue “drummoniando”, revendo o velho e difundindo o pouco conhecido. “A grande oportunidade de trabalhar com a obra de Drummond é escavar um repertório já consolidado, deixando os poemas saturados que já ganharam a representação que merecem e apresentando os que, por fatores do acaso, não se tornaram conhecidos”, comenta.

A convite do Instituto Moreira Salles, Secchin concebeu um recital poético para as comemorações do Dia D. Originalmente nomeado “As Sete Vozes de Drummond”, em diálogo com o famoso “Poema de Sete Faces”, Secchin propõe uma divisão de fases da poesia do mineiro. “Ele mesmo já havia indicado nos anos 60 que a poesia dele poderia ser dividida por temas. E eu criei a minha divisão”.

Infância, poesia, família, solidão, amor, morte e sociedade são os temas que congregam um conjunto de poemas sugeridos a partir da importância da obra de Drummond, levando em consideração também a diversidade de formas – versos curtos, longos, livres, soneto.

Na apresentação, Secchin faz uso de projeção de imagens e trilha em alguns poemas, mas faz questão de frisar que os efeitos são aliados e não tiram o foco da palavra. “O recital é a valorização da poesia falada. Ali é o momento para ouvir e não ler Drummond, por isso, me esforço para unir e para comunicar ao público a literatura de alto nível”. Cheio de surpresas, Secchin não revela seu repertório.

Agenda

O quê. Recital poético “Carlos Drummond de Andrade

Quando. Hoje, às 19h

Onde. Academia Mineira de Letras (rua da Bahia, 1466, Centro)

Quanto. Entrada gratuita, sujeita à lotação da casa. Retirada de senha 30 minutos antes da apresentação.

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