O sonho começa nas alturas

iG Minas Gerais |

Começa hoje, em Sucre, na Bolívia, a 2.810 m de altitude, o sonho do tri da Copa Libertadores para o Cruzeiro. A boa impressão deixada no último jogo pelo Campeonato Mineiro, nos 3 a 0 diante do Boa Esporte, no Mineirão, enche a China Azul de esperança e expectativa. Tenho dito aqui, que o trabalho não será fácil para o técnico Marcelo Oliveira. Mas, até o momento, o treinador e os jogadores têm sido impecáveis na missão. Depois do susto em pleno Mineirão contra a Caldense, o time já jogou mais duas vezes e foi outro. Mostrou nova postura. Mais entrosamento. Mais ritmo. Entraram Arrascaeta e Paulo André. O time ganhou experiência na sua defesa e velocidade no seu meio campo. Leandro Damião desencantou e já tem quatro gols em dois jogos. É finalizador. Matador. Se a bola chegar, ele guarda. Judivan virou arma para o segundo tempo. William que abra o olho. Mais alguns jogos ruins, e Marcelo Oliveira não poderá segurar o garoto no banco. Mena ganha confiança. Enfim, o Cruzeiro tem mostrado luta e vontade. Isso não podemos negar. Aos poucos, a dificuldade de armação e entrosamento vai ficando para trás. O adversário, o Universitário de Sucre, vai mal no Campeonato Boliviano. Usou time misto na última partida. Se poupou para jogar hoje. Vai explorar o campo a favor. Tenho a impressão de que vai deixar o Cruzeiro correr. Cansar. Para depois dar o bote. Tática conhecida de jogos na altitude. O Cruzeiro tem funcionários experimentados nessas viagens na sua diretoria e comissão técnica. Está vacinado. A ótima notícia é a volta de Fábio ao gol, para se tornar o segundo atleta que mais vestiu a camisa do Cruzeiro em toda a história. A notícia ruim: o veto de Mayke. Permanece Fabiano.

Hora da reação Já são duas derrotas seguidas em jogos importantes, e o emocional do Atlético não anda nada bem. Quem diz isso é o próprio técnico Levir Culpi, que acha que tem faltado ao Galo o “espírito de competição”. Levir fez essa constatação após a derrota para o Colo-Colo, em Santiago, no Chile. O treinador atleticano voltou com a mesma observação após a derrota no clássico para o América. O que incomoda Levir é a apatia de um time que, no papel, é muito melhor que o América e que o Colo-Colo. Papel não ganha jogo. Sabemos disso. Falta vontade. Falta luta. Falta raça. Falta gana. O Galo precisa mostrar que é melhor em campo também. Fazer 1 a 0 no América, ficar com um homem a mais e permitir a virada do rival é vergonhoso. Li e ouvi de muita gente que o América tinha obrigação de vencer porque o Atlético era reserva. Não penso assim. Vou citar apenas dois jogadores do Atlético que estiveram em campo no domingo e pagam a folha salarial do América: Emerson Conceição e André. Justamente dois contestados. Juntos ganham cerca de R$ 350 mil. Praticamente o que o Coelho gasta com todo o seu elenco. Gigante e impecável no clássico, foi o América, que provou que nem sempre o maior orçamento justifica o investimento. As coisas se decidem dentro de campo. Soberba não ganha jogo. Hoje, às 19h45, na Arena Independência, contra o Atlas, do México, a massa volta a apoiar o seu time, esperando ser correspondida dentro de campo. Duelo de dois times perdedores na primeira rodada. Imagino um Atlas fechado, esperando o Galo. Os problemas são os mesmos dos últimos jogos no Atlético. Ausências de titulares importantes. Mas não acredito que Dátolo e Luan, por exemplo, vão jogar tão mal, como jogaram no Chile. Por isso, faço coro com o treinador atleticano: “o espírito de competição” tem que reaparecer urgentemente para o clube voltar ao bom caminho. Copa do Brasil Embalado pela vitória de virada no clássico, contra o Atlético, o América começa hoje, em Goiás, sua caminhada na Copa do Brasil. O adversário será o Luziânia, atual campeão do Distrito Federal. Isso mesmo. Você não leu errado. É uma situação fácil de compreender. O Luziânia é de Goiás, sim. Porém, filiado à Federação Brasiliense de Futebol. Bom, independentemente disso, não considero o adversário capaz de eliminar o Coelho. Muito pelo contrário. Motivado, cada vez mais entrosado e mostrando um futebol aplicado, o América pode até vencer por dois ou mais gols de diferença e eliminar o jogo da volta. Basta atuar com respeito. Manter a garra. Não usar o salto alto. A Copa do Brasil prega surpresas. O próprio América já provou desse veneno. Givanildo Oliveira é vivido nesse assunto. Vai colocá-lo em pauta no papo com os jogadores. O que vale nessa primeira fase para o América é o prêmio de R$ 200 mil pela participação. Os cofres do clube agradecem. Boa sorte, Coelho.

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