Dólar recua a R$ 2,83 após fala de presidente do BC dos EUA

O dólar à vista, referência no mercado financeiro, caiu 1,37%, a R$ 2,833, mas se manteve no maior patamar desde 8 de novembro de 2004

iG Minas Gerais | Folhapress |

Argentina cria exigências para controlar volume de dólares no país
ADEM KAYA/ARQUIVO STOCKXPERT
Argentina cria exigências para controlar volume de dólares no país

O dólar recuou para o patamar de R$ 2,83 e a Bolsa fechou em alta nesta terça-feira (24) após a presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano) confirmar que a autoridade monetária dos Estados Unidos não pensa em elevar os juros no país antes que se assegure de que isso não vai prejudicar a recuperação dos EUA.

O dólar à vista, referência no mercado financeiro, caiu 1,37%, a R$ 2,833, mas se manteve no maior patamar desde 8 de novembro de 2004. O dólar comercial, usado no comércio exterior, caiu 1,56%, a R$ 2,834, seguindo no maior valor desde 8 de novembro de 2004.

O grande responsável pelo recuo da moeda americana foi o discurso de Janet Yellen, presidente do Fed. De acordo com ela, o Fed vai retirar de seu comunicado a palavra "paciente", que fazia parte de uma frase usada desde dezembro para descrever a abordagem sobre o momento de uma alta inicial dos juros.

No entanto, isso não garante que as taxas serão elevadas em um determinado momento, disse a presidente do banco central americano. Será um sinal de que o Fed passará a considerar a possibilidade de uma alta dos juros de reunião para reunião.

A presidente do Fed descreveu como o comitê de política monetária provavelmente vai agir nos próximos meses -em um esforço para aumentar a flexibilidade do Fed e minimizar qualquer potencial reação dos mercados antes da data do início do aperto monetário.

O Fed tem sido criticado por usar orientação futura para influenciar o comportamento dos mercados enquanto insiste ao mesmo tempo que qualquer decisão sobre juros continua condicionada a dados econômicos.

"Caso as condições econômicas continuem a melhorar, como o comitê espera, o comitê vai em algum momento começar a considerar um aumento de juros de reunião para reunião", disse Yellen.

Segundo Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho do Brasil, em seu discurso Yellen adotou um tom mais conservador, indicando que o Fed não pode correr o risco de subir os juros cedo para não prejudicar a recuperação da economia americana.

"A sinalização é que o Fed deve subir os juros em meados do segundo semestre, em linha com seu mandato de maximizar a criação de emprego com a estabilização de preço", avalia.

ALÍVIO

A melhora no cenário na Grécia também trouxe um alívio para o dólar neste pregão. O país conseguiu obter quatro meses de prorrogação de seu resgate financeiro, com a aprovação por seus parceiros na zona do euro de um plano de reforma que recuou em medidas de inclinação esquerdista, e prometeu que os gastos para aliviar o estresse social não irão desencaminhar seu orçamento.

No Brasil, a reunião do PMDB com o ministro Joaquim Levy (Fazenda) também esteve no radar dos investidores. O vice-presidente da República, Michel Temer, afirmou na segunda-feira (23) que o governo pode contar com o PMDB para ajudar na aprovação das medidas provisórias do ajuste fiscal.

"O acordo ajuda a dar mais segurança de que o país poderá realizar os ajustes e impedir um rebaixamento de sua nota de crédito pelas agências internacionais", avalia Rostagno.

Na manhã desta terça (24), o BC brasileiro vendeu a oferta total de até 2.000 contratos de swap cambial (equivalentes à venda de dólares no mercado futuro), por suas atuações diárias. Foram vendidos 100 contratos para 1º de dezembro de 2015 e 1.900 para 1º de fevereiro de 2016, com volume correspondente a US$ 97,8 milhões.

O BC também vendeu a oferta integral de até 13.000 contratos de swaps para rolagem dos contratos que vencem em 2 de março, equivalentes a US$ 10,438 bilhões. Ao todo, a autoridade monetária já rolou cerca de 85% do lote total.

BOLSA

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou em alta de 1,16%, a 51.874 pontos, renovando o maior patamar em dois meses. Das 68 ações negociadas no índice, 53 subiram, 14 caíram e uma fechou estável. O giro financeiro no pregão foi de cerca de R$ 6 bilhões.

O discurso de Yellen e a aprovação do plano de reformas da Grécia também foram as grandes notícias do dia na Bolsa, afirma Maurício Nakahodo, economista do Banco de Tokyo-Mitsubishi. "Ajudaram a recuperar a confiança dos investidores", ressalta.

No Ibovespa, destaque para o setor educacional. As ações da Estácio fecharam em alta de 5,02%, a R$ 21,35. Os papéis da Kroton subiram 2,85%, a R$ 12,63.

As ações da Petrobras fecharam com alta de quase 4%, após três pregões seguidos de baixa. As ações preferenciais -mais negociadas e sem direto a voto- tiveram alta de 3,90%, a R$ 9,86. Os papéis ordinários -com direito a voto- subiram 3,84%, a R$ 9,74.

Destaque também para as ações da Vale, que voltaram a subir. Os papéis preferenciais da mineradora fecharam com alta de 2,08%, a R$ 19,14. As ações ordinárias tiveram avanço de 1,94%, a R$ 22,04.

As ações de bancos também subiram no pregão. Os papéis do Itaú Unibanco fecharam em alta de 1,05%, a R$ 36,62. As ações do Bradesco tiveram avanço de 1,10%, a R$ 37,78.

Na ponta contrária, as empresas de papel e celulose Suzano, com queda de 5,28%, e Fibria, com desvalorização de 4%, lideraram as baixas do Ibovespa. A Embraer, com perda de 2,44%, também ficou entre as ações com maior desvalorização no dia.

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