Bachelet recebe críticas após escândalo envolvendo seu filho

O filho de Bachelet é acusado de usar sua influência, como filho da presidente, para negociar um empréstimo no Banco do Chile que teria beneficiado a empresa de sua mulher

iG Minas Gerais | Folhapress |

Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr
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Políticos de oposição e da base governista não pouparam críticas à presidente chilena Michelle Bachelet pelo caso de suposto tráfico de influência de seu filho, Sebastián Dávalos.

Em pronunciamento nesta segunda-feira (23), o primeiro desde que o escândalo foi revelado, Bachelet falou em preocupação "como mãe e presidente" a afirmou que ficou sabendo do caso pela imprensa.

"Durante estes últimos dias, uma série de acontecimentos me geraram preocupação, como mãe e presidente. Foram momentos difíceis e dolorosos, mas também quero enfrentá-los com clareza e decisão. Conheço bem minha responsabilidade como presidente e tenho uma grande prioridade, que firmei neste governo, no anterior e na minha vida, que é trabalhar para que tenhamos uma nação mais justa e igualitária", disse.

"Meu compromisso é com o desejo da maioria da população de viver em um país onde não existam privilégios, onde as oportunidades estejam igualmente disponíveis para todos e todas", continuou.

O filho de Bachelet é acusado de usar sua influência, como filho da presidente, para negociar um empréstimo no Banco do Chile que teria beneficiado a empresa de sua mulher. Dávalos teria conseguido uma soma equivalente a R$ 27 milhões após se reunir com o dono do banco, no final de 2013. Os recursos teriam sido usados para a nora de Bachelet comprar terrenos, que mais tarde foram vendidos pelo equivalente a R$ 40 milhões.

Em meio ao escândalo, Dávalos renunciou ao cargo de chefe da área sociocultural do governo. Em seu pronunciamento, Bachelet afirmou que soube do caso pelos jornais. "Não tive nenhuma informação antes nem depois [do negócio], me informei pela imprensa".

A oposição, liderada pelo deputado Ernesto Silva, da UDI, disse que pedirá explicações à presidente sobre o caso.

"Os chilenos têm muitas perguntas e avaliam de maneira positiva que a presidente tenha se pronunciado publicamente. Mas depois que a presidente falou, seguem com as mesmas dúvidas. O que se quer saber é se o negócio da nora de Bachelet foi feito dentro da lei", disse ele.

A oposição está se organizando para enviar um questionário de perguntas à presidente, com o objetivo de esclarecer a eventual participação de Bachelet no episódio. O deputado Felipe Ward, também da UDI, afirmou que enviará perguntas para saber se a presidente teve conhecimento dos negócios feitos pela sua família.

Os governistas do Partido Democrata Cristão também fizeram críticas a Bachelet.

Em entrevista à rádio Cooperativa, o presidente do partido, Ignacio Walker, disse que o caso prejudica a Nova Maioria, coalizão de partidos que integra a base aliada à presidente.

"Esse é um tema muito complicado. Deixe-me dizer diretamente: creio que o caso Sebastián Dávalos arranha a imagem da Nova Maioria", disse.

Para o aliado, demorou muito tempo para que o filho da presidente renunciasse ao cargo. O caso foi revelado no dia 6 de fevereiro e Dávalos renunciou no dia 13.

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