Usuários do Move denunciam falhas em portas, elevadores e em monitores

Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte confirma que cerca de 30% dos monitores não funcionam e que quase metade das portas possuem problemas

iG Minas Gerais | Camila Kifer e Fernanda Viegas |

Monitores apresentam não funcionam
Guilherme Campos/Webrepórter
Monitores apresentam não funcionam

Os problemas de infraestrutura e de falta de segurança nas estações do Move na Pampulha e também na avenida Cristiano Machado, na região Nordeste de Belo Horizonte, prejudicam a utilização dos usuários e torna a viagem mais cansativa. Falhas nas portas, em elevadores e com os monitores são constantes.

O técnico em Transporte e Trânsito Guilherme Gonçalves, de 25 anos, faz uso diário do terminal, na região da Pampulha, ev denuncia os problemas enfrentados pelos usuários do transporte coletivo.

"As escadas rolantes não funcionam. Outro grande problema é a concentração de ambulantes no local. Essa situação prejudica porque temos que passar pelas grandes filas formadas no local e ainda desviar desses vendedores", explicou.

Ainda, a grade que cerca a estação foi danificada por vândalos. Esses entram e saem sem pagar a passagem. "Eu tenho medo de continuar utilizando o terminal, mas fazer o que? Essa é minha única opção", contou o técnico.

Gonçalves gasta em média uma hora e quarenta minutos da casa dele, localizada no bairro Coqueiros, na região Noroeste da capital, até o trabalho, que fica no bairro Leblon, em Venda Nova.

Na estação Feira dos Produtores, na avenida Cristiano Machado, as portas não fecham e os monitores que indicam quando os ônibus irão passar não funcionam. "Além da insegurança que sinto há o desconforto e falta de confiança no serviço", reclamou o analista de software, Guilherme Campos, 28.

Em dezembro do ano passado, um homem morreu após ser atropelado por um ônibus do Move, na estação São Francisco, na região da Pampulha, ao colocar a cabeça para fora para olhar se o coletivo estava chegando.

Por meio de nota, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH) confirma que cerca de 30% dos 300 monitores de 46 polegadas encontram-se quebrados por atos de vandalismos em todas as estações pela capital. "A sua substituição aguarda definições quando a segurança a ser implantada nas estações".

Quanto ao defeito das portas, o sindicato informou que recebeu a incumbência para realizar a manutenção em 1º de janeiro deste ano, e que quase metade delas apresentam falhas. "Os técnicos deram início a um levantamento minucioso dos trabalhos a serem realizados para a solução definitiva do problema, solicitando inclusive o acompanhamento de quatro técnicos da empresa Wolpack, fabricante do equipamento. Identificados problemas em cerca de 200 das 480 portas, desde 6 de janeiro os técnicos do Setra BH têm percorrido as estações, recolocando em funcionamento as portas defeituosas.

Além da recolocação em funcionamento, o sistema está passando por readequações técnicas, inclusive por alterações de projeto, com vistas à solução definitiva dos defeitos detectados. Um dos problemas constatados diz respeito à localização de botoeira utilizada para a abertura e fechamento manual das portas, acessível aos usuários.

Por fazer parte do sistema de segurança das estações, a sua transferência para local inacessível aos usuários somente poderá ser feita após a instalação do novo sistema de Radio Frequency Identification (RFID) – Identificação por Rádio Frequência – para a abertura e fechamento das portas, já instalado em todos os ônibus do MOVE e em parcela das estações. Automático, o RFID somente permitirá que as portas das estações sejam acionadas após o acionamento das portas dos ônibus já estacionados. O sistema ainda passará por testes, para assegurar a operacionalidade do equipamento instalado em cada um dos 425 ônibus (234 padron e 191 articulados) e em cada uma das 41 estações.

O trabalho demanda tempo, uma vez que a sua operacionalidade exige a regulagem de cada sensor de presença para um dos dez modelos de carroceria que passam pelas estações, a ativação dos receptores de RFID das portas e a regulagem dos receptores para um dos 10 modelos de carroceria. Até a aprovação do RFID, equipes do Consórcio Operacional do Transporte Coletivo de Passageiros por Ônibus do Município de Belo Horizonte – Transfácil – se manterão em revezamento para alertar os funcionários das estações sobre a abertura indevida das portas por usuários através dos equipamentos de monitoramento por vídeo. O quadro funcional também foi reestruturado, com a destinação de pessoal para atividades de controle local de portas e catracas".

A Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) informou, por meio da assessoria de imprensa, que das quatro escadas rolantes da estação Pampulha, três estão funcionando. Uma delas parou nessa segunda-feira (23), conforme a empresa, mas no mesmo dia foi acionada a empresa responsável pela sua manutenção e, em breve, o problema será solucionado.

A reportagem de O TEMPO entrou em contato com a assessoria de comunicação da regional Centro-Sul quanto a ocupação do espaço da estação Pampulha por ambulantes, mas o órgão ainda não se posicionou.

Leia tudo sobre: denunciaproblemaestaçõesMoveportasmonitoreselevadores