Tostão recorda primeiro jogo da história do Cruzeiro contra bolivianos

Autor do primeiro gol celeste em confrontos contra os rivais sul-americanos, ídolo relembra dificuldades e faz alerta

iG Minas Gerais | JOSIAS PEREIRA |

Tostão escreve em O TEMPO às quartas e aos domingos
SAMUEL AGUIAR/OTEMPO
Tostão escreve em O TEMPO às quartas e aos domingos

Tudo começou em 1971, mais precisamente no dia 9 de fevereiro. O Cruzeiro partiu para uma série de amistosos pela América do Sul. Entre os rivais, adversários peculiares e locais inusitados. Com quatro campeões mundiais em 1970 no plantel - Brito, Fontana, Piazza e Tostão, a Raposa foi até La Paz encarar o The Strongest.

No primeiro duelo celeste frente a rivais bolivianos, os 3,6 mil metros de altitude de La Paz fizeram efeito e assustaram. O craque Tostão que o diga. "Deste jogo eu me recordo bem pelas dificuldades que enfrentamos em La Paz. Eu nunca fui de sentir dor de cabeça em viagens, mas na véspera daquele jogo eu passei mal no hotel. Não consegui dormir, fiquei andando para lá e para cá no hotel para ver se passava, até que o pessoal me sugeriu tomar um chá de coca. É costume deles. Todo mundo tomava. Resolvi tomar também. Deu uma amenizada nos efeitos da altitude. Era um amistoso mesmo é também não corríamos o risco de cair no doping", recorda Tostão.

O duelo foi vencido pelo Cruzeiro por 2 a 1. Foi dos pés de Tostão que saiu o primeiro gol celeste em partidas contra bolivianos. Dirceu Lopes completou o marcador, enquanto Romero descontou para o The Strongest. "Eu perdi a conta de quantas vezes eu vi jogador nossos tendo que sair de campo para usar aquele tubo de oxigênio, bem semelhante ao que acontece hoje. É muito desumano jogar nestas condições, e olha que foi apenas um amistoso. Foi a única vez que eu enfrentei algum time boliviano em condições como estas", diz Tostão.

O ídolo celeste receita paciência ao atual plantel cruzeirense para superar o Universitario, em Sucre, nesta quarta-feira, em jogo que marca a estreia celeste na Libertadores.

"Naquele jogo de 1971, nós tivemos dificuldades, mas colocamos os bolivianos na roda. A altitude realmente influi, mas nestas condições você precisa jogar com inteligência. Tocamos a bola para lá e para cá, fizemos nossos gols e não demos chances para eles. É assim que um time que vai jogar lá precisa se comportar. Segurando a bola o máximo possível, atuando com paciência. Não adianta sair correndo porque vai perder o fôlego mesmo", ressalta.

"Os times bolivianos evoluíram. A base da seleção nacional atua nestas equipes. Aliado à altitude, eles conseguem equilibrar as ações com os times brasileiros. Mas dá para vencer. Nós fizemos isto, eles também podem fazer", complementou Tostão.

Depois deste compromisso em 71, o Cruzeiro enfrentou equipes bolivianas em mais oito oportunidades. O retrospecto é amplamente favorável, com seis vitórias, dois empates e apenas uma derrota.

Contra o Universitario, o retrospecto é ainda melhor. Foram dois jogos, com duas vitórias celestes. Os resultados positivos aconteceram na Libertadores 2009: 1 a 0 em Sucre, e 2 a 0 no Mineirão.

Ficha técnica The Strongest (BOL) 1x2 Cruzeiro Motivo: Amistoso Local: Estádio Hernando Silez Suazo, La Paz, Bolívia Data: 09/02/1971 Público: 20.000 Árbitro: Rodolfo Medina (BOL) Gols: Tostão 39, Dirceu Lopes 4 do 2º, Romero 32 Cruzeiro Raul, Lauro, Brito, Aloísio, Vanderley (Neco), Piazza, Zé Carlos, Roberto Batata (Miro), Tostão, Dirceu Lopes, Lima, Eduardo. Técnico: Ílton Chaves The Strongest Galarza, Maldonado, Gini, Iriondo, Agreda, Vargas, Pinto, Romero, Diaz (Moralez), Balmaceda, Batista. Fonte: Almanaque do Cruzeiro, de Henrique Ribeiro

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