Não vou para o céu, mas...

João Bosco celebra carreira no Sesc Palladium, ao reviver nesta quarta show que marcou seu reencontro com Aldir Blanc

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

No palco, João Bosco é acompanhado só de seu violão de nylon
sandro camparado/divulgação
No palco, João Bosco é acompanhado só de seu violão de nylon

Já se foram 15 anos desde que João Bosco e Aldir Blanc voltaram a se falar, compor e a frequentar a vida um do outro, após duas décadas de um rompimento tão complexo que só pode ser comparado ao fim de um casamento, como resumiu o jornalista Luiz Fernando Vianna no livro “Aldir Blanc – Resposta ao Tempo” (Casa da Palavra, 2013). Para lembrar a dupla preferida de Elis Regina, o cantor e compositor mineiro revisita seus 40 anos de carreira e celebra a retomada da parceria com Aldir Blanc, em show nesta quarta à noite, no Sesc Palladium, como convidado do projeto MPB Petrobras. O espetáculo “Não Vou para o Céu, Mas Já Não Vivo no Chão” recorda o álbum de mesmo nome, lançado por João Bosco em 2009. É neste disco que a dobradinha Bosco e Blanc volta a ser registrada em canções inéditas, o que não acontecia desde meados de 1982. Pouco antes de o álbum chegar ao mercado, Aldir e João haviam voltado aos afagos com a gravação do primeiro dueto da carreira deles, interpretando a emblemática “O Bêbado e a Equilibrista” no “Songbook João Bosco” (Lumiar, 2003). Depois, em 2005, eles compuseram o samba “Toma Lá Dá Cá” e pareceram ter desenferrujado de vez a combinação letra e música, sacramentada em “Não Vou para o Céu, Mas Já Não Vivo no Chão”. Não à toa, João Bosco resolveu dar vida nova à alma do disco, definido por Aldir Blanc como “o reencontro natural de uma amizade eterna”. Acompanhado só do violão, o cantor mineiro relembra quatro parcerias mais recentes com o amigo carioca, como “Sonho de Caramujo”, “Mentiras de Verdade”, “Navalha” e “Plural Singular”. O repertório ainda traz canções de João Bosco com o filho, Francisco Bosco, filósofo, ensaísta, letrista, presidente da Fundação Nacional das Artes (Funarte) e, não por acaso, afilhado de Aldir Blanc. O contexto cai como uma luva. Aliás, Francisco é tido como peça-chave para a retomada da parceria Blanc e Bosco. Por isso, João Bosco passeia pelo repertório de “As Mil e Uma Aldeias” (1997) e “Malabaristas do Sinal Vermelho” (2003), principais parcerias musicais com o filho. Em tributo a quatro décadas de carreira, o cantor mineiro ainda expõe algumas músicas presentes no registro “João Bosco – 40 Anos Depois” (Universal Music, 2002), lançado em CD e DVD. No setlist, clássicos como “Agnus Sei”, “Caça à Raposa”, “Bom Tempo” e “Tanajura”, além das conhecidas “Bala com Bala” e “O Bêbado e a Equilibrista”, imortalizadas na voz de Elis Regina. Inspiração. Antes de João Bosco, o músico mineiro Birola faz um show de abertura com a força de sua viola caipira de dez cordas. O cancioneiro do Vale do Mucuri interpreta as diversificadas canções de “Balanciô” (2012), que mesclam cantiga de roda, xote, samba, coco e tradições africanas com personalidade mineira. Com um pé fincado na música caipira, Birola diz ser influenciado pelo refinamento da MPB de João Bosco, que sabe ser “popular e elegante ao mesmo tempo”, segundo sua definição. “Tenho a característica de cantar e fazer a viola seguir a melodia da minha voz. Isso tem alguma ligação com a habilidade fina que Bosco tem de parecer conversar com o violão. É um exemplo para mim”, diz Birola. Agenda O QUE. João Bosco apresenta show “Não Vou para o Céu, Mas Já Não Vivo no Chão” ONDE. Teatro Sesc Palladium (rua Rio de Janeiro, 1.046, centro) QUANDO. Nesta quarta, às 21h QUANTO. R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada)

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