Famílias imploram para que filhas não se juntem a radicais

Três adolescentes de escola inglesa fugiram, provavelmente para se integrar ao EI na Síria

iG Minas Gerais |

Noivas da Jihad. Câmeras mostram as três adolescentes no aeroporto de Gatwick, sul de Londres, no dia 17 de fevereiro, quando teriam deixado suas casas para encontrar uma amiga que foi para a Síria em 2013
AFP PHOTO / reproduçÃO
Noivas da Jihad. Câmeras mostram as três adolescentes no aeroporto de Gatwick, sul de Londres, no dia 17 de fevereiro, quando teriam deixado suas casas para encontrar uma amiga que foi para a Síria em 2013

Londres, Inglaterra. As famílias de três adolescentes britânicas que viajaram para a Síria para se juntar ao grupo extremista Estado Islâmico fizeram ontem uma declaração pública emocionada implorando para que elas voltem para casa.

A polícia procura as três garotas na Turquia e ainda não tem nenhuma pista do paradeiro delas. As garotas, estudantes da mesma escola no leste de Londres, desapareceram na última terça-feira e não deixaram qualquer mensagem. Segundo as autoridades, elas embarcaram em um voo para Istambul.

Os parentes de Shamima Begum e Amira Abase, ambas de 15 anos, e Kadiza Sultana, 16, demonstraram choque e medo durante entrevistas para a mídia britânica. “Nós sentimos sua falta. Não paramos de chorar. Por favor, pense melhor, não vá para a Síria”, disse Abase Hussen, pai de Amira, abraçado a um ursinho que a menina deu a sua mãe.

A história teve grande repercussão no Reino Unido, onde as autoridades estão preocupadas com os cidadãos que viajam para a Síria para se unir ao Estado Islâmico. De acordo com dados oficiais, pelo menos 500 pessoas foram para a Síria com esse objetivo. As autoridades foram criticadas após a divulgação de que, antes de as garotas desaparecerem, uma delas, Shamima Begum, teve contato online com Aqsa Mahmood, uma menina que viajou para a Síria em 2013 para se tornar uma “noiva da jihad”.

O advogado da família de Aqsa Mahmood, Aamer Anwar, disse que a polícia falhou em se engajar com as famílias e as comunidades. “Eu não entendo como isso não é considerado um caso de proteção à criança. Essas meninas foram manipuladas nas redes sociais. Elas foram traficadas”, disse. De acordo com as famílias, as meninas não mostravam que tinham algum interesse em grupos extremistas e que tinham planos de viajar para fora do país. A polícia declarou que as garotas foram interrogadas em 2014 devido ao desaparecimento de uma amiga delas, mas nada sugeriu que elas estavam em risco.

França. A França impediu de deixar o país ontem seis pessoas que pretendiam se juntar a grupos extremistas na Síria. Esse é o primeiro caso de proibição de viagem desde que uma lei antiterrorismo entrou em vigor no ano passado. O objetivo é evitar o contato de cidadãos franceses com grupos extremistas estrangeiros.

O governo está em alerta desde os ataques terroristas em Paris em janeiro que deixaram 20 pessoas mortas. O ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, estima que mais 40 pessoas serão impedidas de viajar nas próximas semanas. Um oficial do Ministério do Interior disse que os passaportes das seis pessoas foram declarados inválidos por seis meses.

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