Oposição critica Dilma, mas descarta impeachment

Parlamentares aproveitam sessão plenária esvaziada e rebatem as declarações da presidente

iG Minas Gerais |

Brasília. Senadores da oposição aproveitaram a sessão esvaziada de debates no plenário do Senado nesta segunda para tecer críticas à condução do segundo governo da presidente Dilma Rousseff. Apesar dos ataques, os congressistas descartaram a viabilidade de um processo de impeachment da presidente, o que é defendido por alguns grupos da sociedade civil.

Os tucanos aproveitaram também para rebater a fala da presidente que afirmou na semana passada que os desvios na Petrobras deveriam ter sido investigados desde o governo do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso, na década de 90. “Ela perdeu a chance de mostrar que é presidente da República. Ela fez um ataque infantil e inconsistente à oposição, em profundo desrespeito com o povo brasileiro. Não é assim que ela deve enfrentar a crise”, afirmou o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), que foi candidato a vice-presidente da República na chapa de Aécio Neves.

Já o líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB) afirmou aos colegas que se Dilma continuar adotando a tática de culpar os governos tucanos pelos esquemas de corrupção na Petrobras, ela deveria culpar Getúlio Vargas, que foi quem criou a Petrobras.

Para Aloysio Nunes Ferreira, a estratégia de Dilma é uma tentativa de acuar a oposição. “Lamento que a presidente não tenha outra coisa a fazer do que acuar a oposição. Como se ela pudesse nos meter medo. É isso é que inacreditável”, disse aos poucos colegas que estavam em plenário. Apesar das críticas, Ferreira disse que não acredita em um processo de impeachment da presidente. “Não vejo neste momento condições políticas para que a oposição se lance em uma campanha pelo impeachment. Isso não é nem desejável”, afirmou.

Digital. O senador José Medeiros (PPS-MT), suplente que assumiu o mandato no lugar de Pedro Taques (PDT), eleito governador do Mato Grosso, também se posicionou contra a ideia de um impeachment. “Não vejo as digitais da Dilma”.

Durante a sessão, Cássio Cunha Lima protocolou um pedido de informação na Mesa Diretora do Senado para que seja pedido ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, dados de reuniões que tenha realizado com advogados nos últimos três anos. O pedido é fruto da revelação de que o ministro se reuniu, pelo menos por três vezes neste mês, com advogados que defendem empresas acusadas por investigadores da operação Lava Jato de pagar propina para conquistar obras da Petrobras, como a UTC e a Camargo Corrêa.

Ofensiva

Artilharia. Para os senadores do PSDB, a presidente Dilma Rousseff está tentando intimidar e acuar a oposição. “Ela não nos mede medo”, disse o tucano paulista, Aloysio Nunes

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