Já falta insumo para fábricas

Fiat suspendeu parte da produção nesta segunda por não ter peças e pode parar esta terça

iG Minas Gerais | ludmila pizarro |

Bloqueio. 
Manifestantes na BR–381, perto de Igarapé, só deixaram passar cargas vivas e remédios
MOISES SILVA / O TEMPO
Bloqueio. Manifestantes na BR–381, perto de Igarapé, só deixaram passar cargas vivas e remédios

A manifestação dos motoristas de caminhão de carga em Minas Gerais, que teve início na rodovia Fernão Dias, BR–381 na madrugada deste domingo, na altura de Igarapé, região metropolitana de Belo Horizonte, já está afetando a produção mineira. A Fiat parou dois turnos de sua produção nesta segunda por falta de peças, que não chegaram à fábrica por causa do ato dos caminhoneiros. A situação vai ser analisada, mas a Fiat não descartou a possibilidade de parar outros turnos nesta terça caso a situação não se normalize.  

A Advocacia-Geral da União (AGU) protocolou nesta segunda ações na Justiça Federal de sete Estados, incluindo Minas, para que seja determinada a liberação de rodovias bloqueadas. Nas ações, a AGU pede que a Justiça conceda liminar (decisão provisória) para que as estradas sejam desbloqueadas e imponha uma multa de R$ 100 mil por cada hora em que a decisão for descumprida.

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, na BR–381, as interdições acontecem também em Oliveira e Perdões, na região Centro-Oeste do Estado. Os manifestantes autorizam a passagem de carros de passeio e coletivo. Os protestos ainda atinge outros seis Estados.

Entre as reivindicações dos organizadores da paralisação se destacam o aumento do valor do frete pago e a diminuição dos preços dos combustíveis, principalmente, o diesel. “O valor do frete não sofre reajuste há pelo menos cinco anos”, afirma o caminhoneiro autônomo Renato Martins de Almeida. Segundo ele, algumas empresas estão sem aumentar o valor do frete há oito anos. “Em Minas, ainda tem mineradoras que estão diminuindo o valor do frete”, conta o presidente do Sindicato Interestadual de Caminhoneiros, José Natan Emídio Neto.

Outro problema é a recente alta do diesel, que ficou pelo menos R$ 0,15 mais caro por litro. “O diesel aumentou enquanto o barril de petróleo caiu o preço no mundo inteiro, não podemos aceitar. Além disso, as estradas federais têm pedágios altos”, diz Carlos Henrique Anselmo, também motorista de caminhão autônomo. Segundo Renato de Almeida, os custos com combustível, pedágios e manutenção do veículo consomem 70% do valor do recebido pelo transporte. Até o fechamento desta edição, os pontos de retenção continuavam.

Manifestação pode crescer São Paulo. O Sindicato das Pequenas e Micro Empresas de Transporte e Logística de São Paulo e Regiões (Sinditrans-SP) se preparava para paralisar o entroncamento da via Dutra com a Fernão Dias na madrugada desta terça. A paralisação ocorreria em protesto contra o aumento do óleo diesel, dos tributos e também contra a restrição de circulação de caminhões na capital paulista.

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