PF investiga fundo de pensão

Tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, é suspeito de intermediar reunião da Petros com Youssef

iG Minas Gerais |

Lobista. 
João Vaccari teria intermediado reunião entre o fundo de pensão e a empresa de doleiro
Sérgio Castro
Lobista. João Vaccari teria intermediado reunião entre o fundo de pensão e a empresa de doleiro

SÃO PAULO. A Polícia Federal (PF) abriu uma linha de investigação exclusiva para desvendar irregularidades na Petros, fundo de pensão da Petrobras. Com isso, os advogados da estatal pediram a inclusão da empresa como parte interessada no processo para acompanhar as investigações. Um auditoria internacional, contratada pela Petrobras, abriu uma investigação paralela para analisar as contas do fundo. O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, é suspeito de intermediar uma reunião entre representantes de um fundo de investimento comandado pelo doleiro Alberto Youssef e a Petros.  

Em depoimento à PF em agosto, o advogado Carlos Alberto Pereira da Costa, um dos principais auxiliares de Youssef, afirmou que entre 2005 e 2006 Vaccari frequentou regularmente a empresa do doleiro em São Paulo para tratar de negócios com fundos de pensão com um operador do doleiro. A CSA Project Finance - empresa que estava no nome do advogado, mas era controlada por Youssef – intermediou a venda de títulos de uma indústria de Barra Mansa, no interior do Rio, para a Petros.

Carlos Alberto afirmou em seu depoimento que o investimento foi de R$ 13 milhões – só de propina foi pago R$ 500 mil a ex-gerentes do fundo. Ele disse ainda que as negociações foram discutidas entre Claudio Mente, que seria sócio de Youssef na CSA, e João Vaccari Neto.

Indagado sobre os encontros quando o depoimento de Paulo Roberto Costa veio à tona, Vaccari Neto afirmou, em outubro, que era amigo pessoal de Mente e, por isso, esteve na sede da CSA. O tesoureiro do PT, no entanto, negou ter feito qualquer negócio com ele.

Ainda na primeira fase da operação Lava Jato, os policiais apreenderam em um dos escritórios do doleiro Alberto Youssef um computador com 12 arquivos de informações dos negócios operados por ele na Petros.

Adiamento. Nesta segunda, a defesa de Carlos Alberto Pereira da Costa pediu o cancelamento de audiência marcada para esta quarta, quando começaria a fase de oitivas das testemunhas de defesa de seis processos da sétima fase da operação da Polícia Federal.

Na ocasião, o juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato, ouviria, por meio de videoconferência, Eduardo Silva Medeiros, na ação penal contra executivos da empreiteira Engevix.

Com isso, o juiz Sério Moro começará a ouvir as testemunhas de defesa dos acusados só na próxima sexta-feira.

Cenpes

Custo. O Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes) foi duplicado com um orçamento de R$ 1 bi em 2004. No entanto, acabou custando R$ 2,5 bi, dos quais R$ 1,83 bi foi pago à empresas investigadas na Lava Jato.

Leniência

Relator. O Tribunal de Contas da União (TCU) definiu nesta segunda, por sorteio, que o ministro Augusto Nardes será o relator do pedido feito pelo Ministério Público de Contas para que a corte proíba o Poder Executivo de fechar acordos com as empresas investigadas na Lava Jato.

Pedido. O procurador Júlio Oliveira apresentou uma representação em que afirma que a celebração de acordos de leniência entre a Controladoria Geral da União (CGU) e as empresas será prejudicial às investigações.

Ritmo.  Quando terminar seu relatório, Nardes poderá levá-lo ao plenário. Integrantes do MP de contas e técnicos do TCU avaliam que o acordo com a CGU é mais brando do que o acordo com o MPF.

Lula e CUT fazem ato em prol da estatal São Paulo. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta terça, no Rio de Janeiro, de um ato organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) em defesa da Petrobras. O ato, a ser realizado na sede da Associação Brasileira de Imprensa, é chamado: “Defender a Petrobras é defender o Brasil”. No manifesto do ato, divulgado na página da Federação Única dos Petroleiros, os organizadores se dizem a favor das investigações e da punição de culpados, mas denunciam uma campanha para desmoralizar a empresa.

OAS O juiz Sérgio Moro, que conduz as ações da operação Lava Jato, da Polícia Federal, indeferiu pedido da defesa de executivos da OAS para a realização de uma perícia “contábil-financeira e de engenharia” nas obras das Refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e Presidente Getúlio Vargas, no Paraná. O juiz já havia indeferido o pedido da defesa, mas havia dado cinco dias para os advogados da empreiteira esclarecerem melhor o “objetivo, a relevância e a pertinência da perícia pretendida”.

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