Parlamento líbio 'suspende' participação em diálogo

Um outro deputado, que pediu para não ser identificado, justificou a decisão pelo medo de pressões da parte da comunidade internacional

iG Minas Gerais | AFP |

O Parlamento líbio reconhecido pela comunidade internacional decidiu nesta segunda-feira "suspender" a sua participação no diálogo sobre o futuro político na Líbia, meidado pelas Nações Unidas, de acordo com os deputados.

O anúncio foi feito na página do Facebook do Parlamento, explicando que as motivações para a suspensão seriam esclarecidas depois. Mas precisou que a decisão foi tomada "após o atentado terrorista de sexta-feira em Al-Qoba", que matou mais de 40 pessoas e foi reivindicado pelo grupo Estado Islâmico.

"A Câmara dos Deputados votou hoje a favor da suspensão da sua participação no diálogo", declarou o deputado Issa al-Aribi em sua página no Facebook, sem dar mais detalhes.

Um outro deputado, que pediu para não ser identificado, justificou a decisão pelo medo de pressões da parte da comunidade internacional para integrar islamitas num futuro governo de coalizão.

A convite da Missão de apoio das Nações Unidas na Líbia (Manul), uma nova rodada de debates entre representantes do parlamento líbio e do rival Congresso-Geral Nacional (CGN) está prevista para quinta-feira no Marrocos.

Entregue às milícias e afundada no caos, a Líbia é atualmente dirigida por dois parlamentos e dois governos rivais. Um é próximo da coalizão de milícias Fajr Libya - que controla a capital, Trípoli - e o outro é reconhecido pela comunidade internacional e tem sede em Tobrouk.

Representantes dos dois parlamentos se reuniram em Ghadamès no último 11 de fevereiro para uma rodada de discussões "indiretas", organizadas pela ONU.

O chefe da Manul, Bernardino Leon, consultou separadamente as delegações, ressaltando que o objetivo era chegar a um acordo sobre a formação de um governo de união.

Em Washington, a porta-voz do departamento de Estado, Jen Psaki, afirmou nesta segunda-feira que os Estados Unidos continuam apoiando "fortemente os esforços da ONU para facilitar a formação de um governo de união e encontrar uma solução política para a crise" na Líbia.

"Nós reiteramos nosso pedido para que todas as partes envolvidas participem do diálogo mediado pela ONU. Aqueles que escolhem o contrário ficam de fora de negociações que são decisivas para combater o terrorismo e restabelecer a paz e a estabilidade", disse. "Somente os líbios poder solucionar este conflito por meio do diálogo (...)" e do processo lançado pela ONU "é a melhor esperança para que os líbios" saiam da crise.

Aproveitando o vácuo na Líbia após a queda do regime de Muamar Khadafi, no final de 2011, o EI, que tomou grandes espaços dos territórios sírio e iraquiano, estendeu sua empreitada para a Líbia - onde multiplicou as execuções e os ataques suicidas.  

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