Apesar de ameaças, promotor baleado não pediu proteção policial

Informação foi passada nesta segunda-feira (23) durante coletiva de imprensa na Cidade Administrativa

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

CIDADES - BELO HORIZONTE - ATENTADO PROMOTOR
Ministerio Publico de Minas Gerais e Policia Civil apresentam na Cidade Administrativa , Julio Aparecido , homem que efetuou disparos contra o promotor de Justica , Marcus Vinicius Ribeiro , em Monte Carmelo , Minas Gerais
NA FOTO: Pertences do atirador e ao fundo o palito do promotor

FOTO: RICARDO MALLACO / O TEMPO - 23.02.2015
RICARDO MALLACO / O TEMPO
CIDADES - BELO HORIZONTE - ATENTADO PROMOTOR Ministerio Publico de Minas Gerais e Policia Civil apresentam na Cidade Administrativa , Julio Aparecido , homem que efetuou disparos contra o promotor de Justica , Marcus Vinicius Ribeiro , em Monte Carmelo , Minas Gerais NA FOTO: Pertences do atirador e ao fundo o palito do promotor FOTO: RICARDO MALLACO / O TEMPO - 23.02.2015

O atentado que quase tirou a vida do promotor de Justiça e professor universitário Marcus Vinícius Ribeiro no último fim de semana, em Monte Carmelo, no Alto Paranaíba, poderia ter sido evitado caso a vítima tivesse solicitado escolta policial quando recebeu ameaças de morte. A afirmação foi feita pelo comandante geral da Polícia Militar (PM), Marco Antônio Badaró Bianchini, durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (23) na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte.

O profissional foi baleado quatro vezes na noite de sábado (21) no momento em que saía da promotoria da cidade. Ele segue internado no Hospital Santa Clara, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Dois suspeitos estão presos, sendo eles o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Valdelei José de Oliveira, que seria o mandante do crime, e o filho dele, Juliano Aparecido de Oliveira, que confessou na tarde de domingo (22) ter efetuado os disparos além de levar os policiais até um matagal onde a pistola calibre 380 usada no atentado estava escondida.

Desde o ocorrido, a PM divulgou que a vítima já havia sofrido ameaças por causa de denúncias feitas por ele. "Nunca vamos saber ao certo, mas se ele tivesse solicitado a proteção da PM possivelmente o atentado poderia ter sido evitado", afirmou Bianchini durante a coletiva.

O comando da Polícia Civil (PC) exaltou a rapidez para solucionar o crime. "As imagens de câmeras de segurança de perto da praça foram muito úteis para identificarmos o suspeito. Além, é claro, do exame de pólvora feito pela perícia que encontrou vestígios na moto do filho do político", afirmou o delegado Wilton José Fernandes. Ainda segundo ele, as investigações continuam sobre o caso.

Segundo o procurador André Estevão Ubaldino, ainda não se sabe se a vítima do atentado será transferido de município. "Não dá para saber ainda, uma vez que ele só pode sair de onde está se solicitar ou se for de interesse público. O que sei é que o Ribeiro era extremamente atuante na região e, por isso, não acreditamos que ele saia de lá", falou.

Linhas de investigação

A princípio, a corporação trabalhava com duas hipóteses de vingança, sendo a primeira delas pela denúncia de Ribeiro que levou à prisão de 20 pessoas de uma quadrilha de tráfico de drogas. A segunda possibilidade era por conta da denúncia que culminou na Operação Feliz Ano Novo, que apontava irregularidades em licitações e acabaram cassando o ex-vereador.

"O filho do ex-vereador confessou que fez isso por causa ação do Ministério Público que o cassou, mas afirma que o pai não sabia disso. Ele efetuou 12 disparos contra o promotor e fugiu para Romaria, onde foi preso na casa de familiares", explicou a delegada Cláudia Coelho Franchi. Após a prisão do filho, o ex-vereador foi até a delegacia para obter mais informações, onde acabou detido, já que existe a suspeita de que ele seja o mandante da tentativa de homicídio.

Ainda conforme a policial, existe uma grande possibilidade dos dois detidos serem transferidos, mas ainda não se sabe ao certo quando isso acontecerá. Durante a coletiva, Juliano afirmou apenas que o ex-vereador não sabia que ele tentaria matar o promotor e que, no momento do crime, ele não sabia onde o seu pai estava. 

Repúdio

Após o ocorrido, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) divulgou uma nota de repúdio ao atentado sofrido pelo servidor. No texto, o órgão afirma que as investigações estão sendo conduzidas, de forma integrada, pelo MPMG e pelas polícias Civil e Militar com o objetivo de dar uma resposta imediata ao crime.

A nota ainda afirmava que Marcus Vinícius Ribeiro passou por cirurgia e encontra-se internado na unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital Santa Clara, em Uberlândia. De acordo com o boletim médico, o quadro de saúde é estável, com uma evolução positiva. 

"O promotor era integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), é reconhecido como promotor de Justiça combativo e dedicado, sendo responsável por ações de grande relevância para a sociedade da região do Alto Paranaíba e Triângulo mineiro", dizia o texto. 

Em decorrência do atentado, o Conselho Nacional de Procuradores-Gerais (CNPG) decidiu nesta segunda-feira, em Brasília, realizar o encontro do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC) em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, onde a vítima está internada. A reunião acontecerá nesta sexta-feira (27).

Leia tudo sobre: PROMOTORBALEADOATENTADOEX-VEREADORMONTE CARMELOTIROSPROTEÇÃOPOLICIALAMEAÇASFILHOCONFESSOU