Paralisação dos caminhoneiros leva Fiat a dispensar trabalhadores

Como os materiais que são usados na produção não chegaram até a fábrica da montadora, em Betim, trabalhadores voltaram para casa

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO/BRUNA CARMONA |

CIDADES - IGARAPE - MG 
Protesto de caminhoneiros fecha parte da rodovia Fernao Dias / BR-381 , na Regiao Metropolitana de Belo Horizonte , na manha desta segunda-feira (23) .

FOTO : Moises Silva / O Tempo - 23.02.2015
MOISES SILVA / O TEMPO
CIDADES - IGARAPE - MG Protesto de caminhoneiros fecha parte da rodovia Fernao Dias / BR-381 , na Regiao Metropolitana de Belo Horizonte , na manha desta segunda-feira (23) . FOTO : Moises Silva / O Tempo - 23.02.2015

A manifestação dos caminhoneiros em Minas Gerais já começa a causar prejuízos na indústria. A fábrica da Fiat, às margens da BR-381, em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, precisou dispensar os trabalhadores nesta segunda-feira (23) devido à falta de peças para a produção. 

A reportagem de O TEMPO recebeu uma denúncia nesta tarde afirmando que a fábrica havia parado a produção por estar sem material para alimentar a linha de produção. Em contato com a assessoria de imprensa da Fiat, a informação acabou confirmada. 

Segundo a multinacional, o segundo e o terceiro turno de trabalhadores foram dispensados em decorrência da falta de peças, uma vez que os caminhões que transportam o material ficaram retidos no bloqueio. A Fiat ainda fará uma avaliação, mas, caso as cargas não cheguem até esta terça-feira (24), os trabalhadores provavelmente voltem a ser liberados do serviço. 

O protesto em Minas Gerais teve início por volta das 5h de domingo (22), na BR-381, em Igarapé, ainda na região metropolitana da capital. Ao longo do dia, os atos acabaram se estendendo para a altura da cidade de Oliveira, na região Centro-Oeste, uma vez que a PRF havia disponibilizado uma opção de desvio para os motoristas. Em seguida, diante de um novo desvio, os manifestantes passaram a fechar a rodovia nesta segunda-feira também na altura de Perdões.

Nesta segunda-feira algumas informações davam conta de que uma nova paralisação acontecia na cidade de Santo Antônio do Amparo, também na região Centro-Oeste. Entretanto, de acordo com o posto da PRF no município, os caminhoneiros que estão parados na região não manifestam, mas apenas aguardam o fim da paralisação, uma vez que não há como seguir para Oliveira e nem Perdões. Apesar disso, segundo a Autopista Fernão Dias 1 km de lentidão é registrado nesse trecho, no sentido à BH.

Ainda na manhã desta segunda-feira (23), a categoria fechou os dois sentidos da BR-352, na entrada da cidade de Pitangui, na região Central do Estado. De acordo com a Polícia Militar Rodoviária (PMRv), a manifestação teve início por volta das 10h em frente ao Parque de Exposições e tem as mesmas reivindicações dos demais movimentos que acontecem pelo país.

Reivindicações

Conforme alguns representantes do movimento dos caminhoneiros, a paralisação não foi organizada pelo sindicato. "Não queremos o sindicato, já que não nos apoiaram em momento algum. Estamos segurando todos os caminhões, mesmo que tenham carga perecível. Apenas carga viva, carros de passeio, ambulâncias e ônibus podem passar", explica um dos líderes, Renato Martins de Almeida.

A principal motivação para o ato seria a estagnação no valor dos fretes pagos pelas empresas aos caminhoneiros, que não aumenta em alguns casos há 8 anos. "Claro que também sentimos o aumento no valor do diesel, que subiu 50 centavos por litro. Os custos com combustível e manutenção estão em torno de 80% do que recebemos, quando não deveria passar 40%. Assim não fica lucrativo trabalhar", afirmou.

Os manifestantes exigem a presença do Secretário Estadual de Transportes e afirmam que estão dispostos a continuar na via por no mínimo 72h. "Mas podemos ficar até uma semana. Temos o apoio da grande maioria dos caminhoneiros autônomos", disse Almeida.

O presidente do Sindicato Interestadual dos Caminhoneiros, José Natan, contou à reportagem de O TEMPO que a manifestação não foi organizada pelo sindicato. "Estamos dando cobertura sobre as paralisações em todo o país. Em cada estrada é um caso, sendo que em Minas aconteceu, entre outros motivos, por conta do minério", contou.

Ainda segundo ele, outro problema que vem atingindo a categoria é o valor dos pedágios, que acabam ficando muito caros para  veículos com muitos eixos.