PBH precisará de suspender editais de patrocínio de eventos

Afirmação foi feita pelo prefeito Marcio Lacerda, nesta segunda-feira (23), durante entrevista à rádio CBN

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

O prefeito Marcio Lacerda quer continuar investindo na imagem de “tocador de obras” para uma eventual candidatura
ANGELO PETTINATI - 7.5.2013
O prefeito Marcio Lacerda quer continuar investindo na imagem de “tocador de obras” para uma eventual candidatura

Diante da necessidade de cortar gastos devido a um orçamento curto para 2015 e 2016, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) terá que suspender editais de patrocínio que estavam previstos para este ano. A informação veio do prefeito Marcio Lacerda (PSB), nesta segunda-feira (23), ao tratar sobre o Carnaval da capital em entrevista à rádio CBN.

O político disse que viu as festividades com um saldo extremamente positivo. "Temos ouvido muitos elogios, de um carnaval família. A internet permitiu uma mobilização espontânea importante. Temos que ver a utilização do espaço público da melhor forma possível pelos blocos. É preciso diálogo, paciência e boa vontade dos envolvidos para que essa manifestação popular tenha a melhor acolhida do setor público e todos fiquem felizes", falou.

Entretanto, o chefe do executivo afirmou que a questão dos patrocínios depende do orçamento do município. "Este ano e o próximo serão de, digamos, dinheiro curto. A PBH sempre tem mais demandas do que a capacidade de atendê-las. Mas este ano provavelmente teremos que suspender editais de patrocínio de alguns eventos. Fizemos um no início do ano e agora teremos que reduzir o orçamento em todas as áreas, porque temos que pagar as contas. Vamos ver o que poderemos fazer no próximo ano para termos um carnaval decente", afirmou Lacerda.

O prefeito lembrou o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do ano passado, de 2,49%, que acabou levando a um repasse menor. "No ano passado a nossa arrecadação própria e as transferências obrigatórias dos governos estadual e federal cresceram apenas 4,5% para uma inflação de 6,5%", argumentou.

Veja o que mais foi abordado por Marcio Lacerda durante a entrevista:

Reforma Política

"Eu diria que o ideal seria de fato o financiamento público de campanhas e o privado somente de pessoas físicas que tivessem condições de fazê-lo. O ideal seria impor limites rígidos de doações e que a empresa não pudesse sair investindo em todos os candidatos. Eleição é muito difícil, um processo muito desgastante para o próprio candidato. Ainda tenho uma dívida grande de 2012 a pagar, porque não faço negócio para pagar dívida de campanha. O grande número de partidos que nós temos dificulta essa reforma também. A questão eleitoral no Brasil está falida e precisa ser mudada urgentemente"

Educação

"Temos obrigação de aplicar na educação 25% da chamada receita corrente líquida, mas estamos aplicando 30%. Nós temos uma série de avaliações sobre a rede de ensino, e seria bom que fosse uma única. Mas temos recebido boas notícias dessas avaliações e o interessante é que os anos iniciais sempre apresentam melhor resultado. Os anos finais tem os piores resultados devido à mudanças que fizemos no início do nosso governo. Tinha a famosa escola plural, que não tinha boletim, não dava bomba em ninguém, os pais não sabiam o rendimento dos alunos. Se você vê essas pessoas que estão no 9º ano elas tiveram a base na escola plural, mas no futuro isso mudará com base no ensino infantil e a escola integrada"

Agentes de saúde

"Essa categoria tem um salário, somando o básico e as gratificações, que chega a R$ 1.500. O piso está em torno de R$ 1 mil. O Governo Federal tende a criar novas regras de piso salarial, diminuindo a jornada e aumentando o piso, mas não diz de onde vem os recursos para bancar isso. No caso desses agentes o recurso não veio. Propusemos à eles de incorporar parte da gratificação ao salário básico para chegar ao piso, o que não aumentaria a receita total deles, mas que significaria um gasto anual a mais de R$ 4 milhões em função das obrigações que incidem sobre esse salário. Assim que o Governo Federal repassar esses recursos, nós iremos cumprir essa determinação"

Move

"Nenhum sistema de transporte coletivo é perfeito, sempre há reclamações e melhorias a fazer. Esse foi o maior investimento e revolução que se fez em BH nos últimos anos. Segundo uma pesquisa que fizemos, mais de 80% da população está satisfeitos com o serviço, com mais conforto, pontualidade e segurança. Nós repassamos a manutenção das portas automáticas para as empresas de ônibus. Há problemas com fornecedores e problemas técnicos. Vamos tentar um convênio com a PM para chamar o pessoal da reserva para fazer a segurança nas estações, que será pago pela prefeitura"

Move Metropolitano

"Quando fizemos o planejamento do Move da capital, colocamos à disposição do Governo Estadual algumas estações, como da avenida Paraná e de outros corredores. Todo o planejamento foi feito pela Secretaria de Transporte e Obras do Estado. A PBH não teve participação no planejamento e execução, mas se formos chamados, ajudaremos a encontrar uma melhor solução"

Guarda Municipal

"Há uma reivindicação que nós concordamos, de que os cargos de confiança sejam preenchidos por guardas municipais, e nós assumimos este compromisso para meados deste ano. Antes, precisamos ter um concurso interno, para que alguns guardas sejam promovidos para cargos especiais. Em relação ao porte de arma, naqueles lugares onde um guarda privado pode usar arma, o municipal também poderia utilizá-la, pela questão de periculosidade da atividade. Isso depende de treinamento e habilitação para tal"

Coleta de lixo

"O objetivo principal é a reciclagem do lixo. A coleta seletiva custa mais do que a normal e, para ampliá-la, há um aumento de custo substancial. Nós vamos manter a coleta seletiva em alguns bairros e distribuir grandes contêineres de recolhimento para se separar o lixo reciclável do não-reciclável. Vamos licitar usinas de reciclagem, em que o lixo bruto é colocado e é separado. É importante que a natureza seja menos agredida"

Som Alto

"A questão é complexa. Nós temos dificuldade porque a PM alega não ter efetivo para acompanhar nossos fiscais. Estamos atentos, o que for preciso mudar na fiscalização nós vamos mudar. Teremos acompanhamento mensal deste tipo de situação"