Quem não quer investidor-anjo para um empreendimento?

Ele tem disposição em investir financeiramente e conhecimento para profissionalizar uma empresa

iG Minas Gerais | ludmila pizarro |

Olhar. Para João Guilherme Gallo, da AppProva, mais importante que apoio financeiro, é o olhar menos apaixonado que o investidor leva
Uarlen Valério
Olhar. Para João Guilherme Gallo, da AppProva, mais importante que apoio financeiro, é o olhar menos apaixonado que o investidor leva

A disposição em investir financeiramente e o conhecimento necessário para profissionalizar uma empresa. Este é o perfil do investidor-anjo, um profissional que pode transformar uma boa ideia em um empreendimento de sucesso. “O investidor-anjo atua muito no setor de tecnologia e start-ups. Porém, pode ser uma pessoa ligada ao empreendedor, que acredita na capacidade dele. Aposta mais no perfil do que no negócio”, diz Reinaldo Heleno, vice-presidente de inteligência digital da Sociedade de Usuários de Informática e Telecomunicações de Minas Gerais (Sucesu Minas).

Segundo uma pesquisa da organização de fomento Anjos do Brasil, em 2014 essa modalidade de aporte cresceu 9%, passando de 6.450 pessoas para 7.060, no período entre julho de 2013 e junho de 2014. O valor de investimento foi, no período, de R$ 688 milhões – aumento de 11% em relação aos 12 meses anteriores.

Reinaldo Heleno informa que o valor de um investimento-anjo é de, no mínimo, R$ 50 mil e não costuma ultrapassar R$ 500 mil. “Depende do perfil da empresa onde o investimento vai ser feito. Se for uma empresa que já está mais madura, o investimento costuma ser maior, diferente de uma empresa que ainda está na fase de plano de negócios”, afirma. A média de investimento, segundo a pesquisa da Anjos do Brasil, foi de R$ 97,5 mil no período 2013/2014.

“O investidor-anjo sempre faz investimentos em troca de participação societária. Ele se torna um sócio da empresa, mas não executivo”, diz Cassio Spina, fundador da Anjos do Brasil. Segundo Cassio, a expectativa é que o ganho seja superior a 40% acima do investimento, mas “em alguns casos, o retorno pode chegar a múltiplos, como dez ou 50 vezes”.

Além do aporte financeiro, o investidor-anjo leva experiência e networking para o empreendimento. “O investidor muitas vezes vira um mentor da empresa, e influencia nas decisões dos empreendedores. Além disso, ele oferece a sua rede de relacionamento e sua experiência de mercado”, conta Heleno.

“Mais importante que o apoio financeiro, é este olhar menos apaixonado que o investidor traz. Ele traz o que a gente chama de smartmoney. Nós temos investidores-anjo no conselho administrativo”, afirma o diretor executivo da AppProva, João Guilherme Gallo, que recebeu investimento-anjo.

Entre as desvantagens do investimento, Spina cita o tempo de maturação de uma empresa. “A expectativa de tempo para a maturação da empresa para que ela ofereça um bom retorno é de três a cinco anos”, avalia. “Além disso, há o risco de perda além do investimento em caso de falência do negócio”, complementa Spina.

Investimento

R$ 688 mi foi o valor de investimentos- anjo entre julho de 2013 e junho de 2014 no Brasil

Mercado certo

“Pela experiência que temos com os membros investidores da Anjos do Brasil, o investidor-anjo normalmente investe nos setores que ele tem conhecimento, pois isto tanto ajuda na sua avaliação, quanto depois na hora de apoiar o empreendedor.”

Cassio Spina - Fundador Anjos do Brasil 

Quem recebeu aporte hoje também investe O Buscapé, além de uma empresa que recebeu investimento-anjo no seu início, optou por fazer este tipo de investimento em start-ups que, na avaliação de seus empreendedores, tinham potencial e estavam ligados ao negócio da organização. “Não chamamos de investimento-anjo, mas de investimento institucional. Mas atuamos nas primeiras rodadas de investimentos destas empresas”, explica o CEO do Buscapé, Rodrigo Borer.

Entre os exemplos de empresas que o Buscapé investiu estão a Cuponeria e a SaveMe, que oferecem cupons de desconto via internet.

“Tem sido um bom caminho, com retorno do capital investido. Uma coisa importante é que estas empresas ajudam a garantir sangue novo, novas ideias na nossa empresa”, conclui Borer. 

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