Um evento sem precedentes

Para participantes dos blocos, todas as pessoas se ajudaram e fizeram a festa, sem contratempos

iG Minas Gerais | Luciene Câmara |

Juventude Bronzeada encheu as ruas da capital de cores e beleza na festa
Uarlen Valério
Juventude Bronzeada encheu as ruas da capital de cores e beleza na festa
Um bloco de rua nasce, geralmente, da união de amigos com vontade de tocar música e pular Carnaval. E também de expressar suas ideias e lutas pela cidade, de maneira livre. Dessa mistura de diversão e transformação surgiu uma festa sem proporções em Belo Horizonte, onde o público da folia se multiplica a cada ano. As 1,5 milhão de pessoas que prestigiaram a festa – conforme balanço divulgado pela Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur) anteontem, sem incluir o público dos eventos de pós-Carnaval deste fim de semana – superaram, segundo o município, o registrado em qualquer outro evento ou manifestação da capital.   A base para o dado da Belotur, no entanto, foram levantamentos feitos nos locais pela Polícia Militar (PM) e pela própria imprensa, que também se baseou na análise de policiais. Ao longo da cobertura, a reportagem observou que o cálculo, muitas vezes, era feito sem qualquer “precisão”. No bloco Baianas Ozadas, na última segunda-feira, o comandante da operação da PM no local jogava os índices “para cima”: “mais de 50 mil”, “mais de 60 mil”, até chegar em “mais de 100 mil”, número final informado.   O major Gilmar Luciano, chefe da sala de imprensa da PM, diz que a estimativa é feita a partir de um software que “lê” as imagens das câmeras do Olho Vivo. Onde não há câmeras, o levantamento fica por conta do olhar do comandante da operação na área, que, segundo o major, tem treinamento para calcular o volume de pessoas por metro quadrado. “É possível dimensionar o Carnaval com muita tranquilidade”, argumenta o major.   Na prática, no entanto, ficou claro que a estrutura montada foi pequena para algumas multidões que se formaram e superaram a previsão feita pelos blocos à Belotur. O major Luciano diz que a corporação consegue aumentar ou diminuir o volume de policiais de acordo com a demanda, em tempo real, e que drones – dispositivos com câmera que sobrevoam as áreas – poderão ajudar a PM a calcular a densidade demográfica no Carnaval de 2016.   Mesmo com a imprecisão de dados, o que se viu foi um clima de muita amizade no meio da multidão. “Estamos experimentando o que é a cidade vivendo de forma comunitária, onde todas as pessoas são responsáveis e se ajudam”, analisa o músico e historiador Guto Borges, 33.  

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