Com demanda fraca, hotéis demitem e fecham as portas

Ocupação de apenas 36% traz prejuízo para o setor, que foi seduzido por uma “BH de eventos”

iG Minas Gerais | Angélica Diniz |

Em espera. Rede hoteleira de Belo Horizonte pede mais eventos na cidade para ocupar os quartos
fotos LINCON ZARBIETTI
Em espera. Rede hoteleira de Belo Horizonte pede mais eventos na cidade para ocupar os quartos

O setor hoteleiro de Belo Horizonte enfrenta forte crise desde o fim da Copa do Mundo, situação que se agrava a cada dia por falta de turistas para preencher os cerca de 13,5 mil quartos disponíveis hoje na capital. Só neste ano, 500 postos de trabalho foram perdidos com o fechamento de quatro empreendimentos, segundo a Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH-MG). Diversos investidores também amargam prejuízos após o evento esportivo e já travam batalhas judiciais.

Em janeiro, a taxa de ocupação registrada pela entidade na capital foi de 36%, índice considerado normal para o mês, mas que pode piorar assim que forem inaugurados outros 11 empreendimentos até o fim do ano, que elevará para 15.428 o total de quartos ofertados. Esse número é 91,25% maior que há quatro anos, período em que foi aprovada pela prefeitura a lei 9.952/2010, que aumentou o potencial construtivo das obras e permitiu a viabilização de empreendimentos para suprir a carência de leitos.

Com a oferta de vagas em alta e a baixa ocupação, pelo menos três empreendimentos foram transformados em condomínios residenciais e salas comerciais. De acordo com a presidente da ABIH-MG, Patrícia Coutinho, o marketing feito pelas construtoras para atrair investidores foi muito grande. “Deveria ter havido um limite na concessão de alvarás”, alegou.

No total, foram aprovados 83 projetos, de acordo com a JR & MVS Consultores. Desses, 37 foram inaugurados entre 2012 e 2015, 11 estão em curso ou atrasados e 35 foram cancelados. Com esse cenário, perdem ainda os diversos investidores que se aventuraram em lucrar com o setor.

O consultor Maarten Van Sluys informou que já existem ações ajuizadas em virtude dos atrasos. As obras vinculadas à lei 9.952 em atraso estão sujeitas a pesadas multas, e todos os empreendimentos nessa situação já foram notificados pela prefeitura.

“Os investidores têm amplo e irrestrito direito de ressarcimento total ou parcial de seu investimento. Em alguns casos, solicita-se o cancelamento do negócio e a devolução do valor investido, acrescido de correção monetária”, explicou. Sluys também criticou a lei, alegando que a redação do documento deveria ter contado com maior participação de especialistas do ramo.

Retorno. Atraído pela garantia de rentabilidade, o engenheiro civil Cícero Barbosa Júnior, 40, investiu R$ 350 mil no Golden Flat, no bairro Cidade Jardim, região Centro-Sul da capital. A obra com 340 unidades foi inaugurada um mês antes da Copa do Mundo, e a promessa era de um retorno de R$ 2.500 a R$ 4.000 mensais. Não foi o que aconteceu. Para obter o lucro esperado, Barbosa explicou que a ocupação deveria ser de 60%, mas que essa taxa não passa de 40%. “A ocupação só foi suficiente durante o evento esportivo. Depois disso, tem meses que recebo R$ 500, tem meses que não recebo nada”, conta. Isso significa que o engenheiro, quando recebe, tem 0,15% por mês de rendimento.

Apesar da frustração, o investidor diz que pretende esperar por um período de maturação do empreendimento, mesmo sem o retorno. “Todo investimento é de risco, e vou até o fim. Vou aguentar firme, porque quem sobreviver fica no mercado”, acredita.

Golden Tulip

Justus. Previsto para entrar em operação antes da Copa, o Golden Tulip, que tem como garoto-propaganda o empresário Roberto Justus, só deve ser inaugurado a partir de 2017.

O que defendem especialistas do setor

Campanhas para atrair turistas das cidades do interior para a capital

Nomeação de um técnico do setor hoteleiro para gerir a Companhia Mineira de Promoções (Prominas), que visa ao desenvolvimento do turismo de negócios em Minas Gerais

Obras eficientes de mobilidade urbana para atrair mais eventos nacionais e internacionais

Renovação dos espaços de eventos da cidade

Melhoria do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins

Transferência de alguns voos para o Rio de Janeiro e São Paulo para o aeroporto da Pampulha

Mais apoio dos governos municipal, estadual e federal para alavancar o turismo em Minas Gerais

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